Estátua da Liberdade gigante será destaque na Portela

Com a heptacampeã Rosa Magalhães à frente, escola homenageará imigrantes

Por GUSTAVO RIBEIRO

Carro que simbolizará navio de piratas está quase pronto
Carro que simbolizará navio de piratas está quase pronto - Alexandre Brum

Uma réplica de aproximadamente 5 metros da Estátua da Liberdade, competindo em altura com a tradicional águia da Portela, será um dos ícones do desfile da escola para ilustrar o enredo 'De Repente de Lá Pra Cá e Dirrepente de Cá Pra Lá...'. A escultura gigante virá em uma alegoria, em um setor onde a Azul e Branca de Madureira espera emocionar o público. A Majestade do Samba, que dividiu o título com a Mocidade em 2017, contará a saga de imigrantes e refugiados em busca de paz e liberdade.

O poema 'O Novo Colosso', da poetisa judia americana Emma Lazarus, gravado no pedestal da estátua original, colaborou para que o monumento ficasse conhecido como a 'Mãe dos Exilados'. "A estátua surgirá recebendo os exilados, os sem pátria, os sem família, os miseráveis", revela a carnavalesca Rosa Magalhães.

O Carnaval 2018 marca o encontro de duas recordistas de títulos no Rio: a carnavalesca, com sete vitórias, e a escola, com 22. A agremiação resgatará a perseguição que os judeus sofreram pela Inquisição em Portugal no século 17, de onde fugiram para Pernambuco, ocupada pelos holandeses. Mais de 20 anos depois, os portugueses reconquistaram Pernambuco e os judeus e holandeses foram embora para Amsterdã, na Holanda, e para Nova Amsterdã, que viria a se tornar Nova York. A fantasia 'A Batalha da Reconquista' retratará o momento histórico.

"A gente nunca espera que brasileiros estivessem na fundação de Nova York. É uma história que pouca gente sabe, mas agora espero que saibam mais", diz a veterana, que completa 71 anos nesta segunda-feira e volta à Portela após 40.

Uma ala inteira será destinada à comunidade judaica, com integrantes de fora do Rio e do exterior. Dos seis carros que a Portela terá, cinco estão sendo executados. O quarto a entrar na Avenida está quase concluído: um navio pirata, representando os piratas caribenhos. Uma caveira metálica desponta na frente da alegoria.

Serão 27 alas e 3.300 componentes. Entre personalidades convidadas para desfilar está o artista plástico chinês Ai Weiwei, filho do poeta chinês Ai Qing, denunciado durante o movimento antidireitista e exilado com a família em um campo de trabalho forçado. Ai Weiwei tinha 1 ano na época. O enredo chegará aos dias atuais lutando contra a xenofobia e a intolerância. O refugiado sírio Mohamed Ali Kenawy, agredido verbalmente em um ataque xenofóbico enquanto vendia salgados em Copacabana, em agosto, também foi chamado. Já os segredos da águia serão guardados até o último instante.

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