Tropas federais e segurança privada para garantir o Carnaval

Prefeitura anuncia esquema da folia, que terá mais desfiles de blocos do que em 2017

Por RAFAEL NASCIMENTO

Monobloco arrasta multidão durante desfile de 2017, na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro, local que, esse ano, mais uma vez, concentrará apresentações dos megablocos
Monobloco arrasta multidão durante desfile de 2017, na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro, local que, esse ano, mais uma vez, concentrará apresentações dos megablocos - Fernando Maia | Riotur

Rio - A segurança é a principal preocupação da prefeitura na organização do Carnaval do Rio. O município pretende contar com seguranças privados nas ruas para os dias de folia, além de solicitar o apoio de tropas federais.

A ideia é contratar 3.375 vigilantes, por meio de uma empresa que ainda será licitada. Os seguranças percorrerão as ruas desarmados, dando apoio aos guardas municipais, e não terão papel de polícia. O prefeito Marcelo Crivella disse que já solicitou ao governo federal auxílio das Forças Armadas para o patrulhamento ostensivo.

"Faço um apelo ao governo federal. A Olimpíada trouxe 800 mil pessoas, o carnaval trará 6 milhões. É importante que possamos contar com o apoio das tropas federais antes, durante e depois para que todas as pessoas nas ruas tenham garantias de que o Rio estará completamente seguro", disse o prefeito.

De acordo com o Ministério da Defesa, por lei, não cabe ao município fazer o pedido de envio de tropas federais, que só deve ser solicitado pelos governadores em casos especiais. O ministério e a Secretaria Estadual de Segurança Pública informaram ontem que ainda não receberam solicitações nesse sentido.

Cinco centros de videomonitoramento, com 70 câmeras no total, e dez torres de segurança para atuação da Guarda Municipal e da Polícia Militar serão instaladas nos locais de percurso dos blocos. Os custos serão bancados pela verba de R$ 38,5 milhões em patrocínio, captada pela Riotur de parceiros privados um recorde histórico, segundo a prefeitura.

A prefeitura espera que mais de 6 milhões de foliões curtam a festa, sendo 1,5 milhão de turistas. A expectativa é de 90% de ocupação da rede hoteleira. O esquema da folia foi apresentado na manhã de ontem pelo prefeito Marcelo Crivella e o presidente da Riotur Marcelo Alves.

Neste ano, 464 blocos poderão sair às ruas, com 600 desfiles aprovados, mais do que os 577 do ano passado. Os maiores blocos sairão na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro.

O esquema de apoio terá ainda 130 ambulâncias, 30 a mais que o ano passado. O número de banheiros químicos também será um pouco maior: 32.570, contra 31 mil em 2017.

Durante o anúncio do esquema, Crivella exaltou o espírito do povo carioca, cantando uma versão do Samba da Minha Terra, de Dorival Caymmi. "'Quem não gosta de samba... bom prefeito não é'. Nós fizemos um esforço enorme, um esforço grande, eu e o vice, para podermos apresentar um Carnaval muito bonito, que a gente espera que seja calmo, sem violência".

Rigor contra blocos não autorizados e folia oficial em arena da Barra

Se depender da prefeitura, a saída dos blocos não autorizados e propagandas de empresas que não patrocinam a festa não terão vez na cidade. Ambos serão "coibidos com rigor" e os representantes dos blocos serão notificados. Para o órgão, "esse é um problema muito sério e não será permitido". "Sou radicalmente contra (blocos não oficiais). A manifestação pode acontecer. Mas que eles nos informem para que possamos oferecer estrutura, logística e segurança. Tudo que é ilegal é ruim e não será permitido", afirmou Marcelo Alves, presidente da Riotur.

O órgão criou um grupo que se chamará Carnaval Legal com a finalidade de coibir ações de marcas que não patrocinam o Carnaval. Doze equipes de ordenamento e fiscalização (inclusive para fiscalizar blocos ilegais) percorrerão as ruas.

Por outro lado, a Arena Carnaval Rio, montada no Parque dos Atletas, na Barra, é uma aposta da prefeitura. Serão dois blocos se apresentando em uma programação de cinco dias, além de shows de samba e pagode. A expectativa de público diário é de 40 mil pessoas. A entrada será gratuita. O espaço tem capacidade para 100 mil foliões. "Buscamos inovações para a festa, mas sem alterar o caráter popular da festa", disse Alves.

O Sambódromo deverá receber meio milhão de pessoas durante os dias de desfile. Na Estrada Intendente Magalhães, 200 mil pessoas são esperadas para as apresentações das escolas de samba dos grupos de acesso.

Dezesseis palcos serão montados pela cidade. O Boulevard Olímpico, de sábado a terça de carnaval, terá um espaço especialmente voltado para crianças.

Escravos da Mauá, Desliga da Justiça e Orquestra Voadora esquentam os tamborins

O fim de semana já tem eventos carnavalescos para agradar ao folião que não aguenta esperar pelo Carnaval. Confira algumas apostas.

ESCRAVOS DA MAUÁ

O carnaval já começou ou o réveillon ainda não terminou? Na dúvida, o bloco Escravos da Mauá convida para o Fabuloso Réveillon do Escravos da Mauá, amanhã, a partir de 16h, na Feira do Cais (no Boulevard Olímpico, entre os armazéns 3 e 4). Será o último ensaio da agremiação da Zona Portuária antes do defile carnavalesco. A bateria do mestre Penha estará presente.

DESLIGA DA JUSTIÇA

O bloco que tem como tema o mundo dos super-heróis e como missão "abrir o Carnaval de rua do Rio de forma colorida, fantasiada, descontraída e com muita alegria" promove ensaio amanhã em frente ao bar São Quim, que fica na Avenida Chuchill, no Castelo. A concentração tem início às 17h.

VOADORA NO MÉIER

A Orquestra Voadora baixa no domingo no Jardim do Méier, com seu repertório eclético, celebrando o aniversário de quatro anos do movimento cultural Leão Etíope do Méier. A programação da festa começa às 16h, com discotecagem. Depois, acontece o cortejo da fanfarra. A noite se encerra com três shows. O evento é de graça, mas a organização corre o chapéu e pede para que a cerveja seja comprada no bar oficial e não nos camelôs.

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