Vale-refeição alimentava quadrilha de fraudadores

Operação Fantoche revela esquema milionário de negociação de benefícios de trabalhadores. Polícia estima que grupo movimentava R$ 10 milhões por mês

Por WILSON AQUINO

Dinheiro,validadores,máquinas de cartão,tíquetes de benefícios entre outros itens, foram apreendidos pela delegacia de Defraudações em escritório na Rua da Quitanda, no centro da cidade e apresentados na sede da especializada na Cidade da Polícia.
Dinheiro,validadores,máquinas de cartão,tíquetes de benefícios entre outros itens, foram apreendidos pela delegacia de Defraudações em escritório na Rua da Quitanda, no centro da cidade e apresentados na sede da especializada na Cidade da Polícia. - Estefan Radovicz/agência O Dia

Rio - Benefícios trabalhistas, como vale-refeição e vale-transporte, abasteciam um esquema criminoso de compra e venda. Uma igreja e duas empresas de ônibus participavam do negócio ilegal. A polícia, que ontem cumpriu nove mandados de busca e apreensão, estima que a quadrilha movimentava cerca de R$ 10 milhões por mês.

Os criminosos compravam de trabalhadores 'apertados' os benefícios, aplicando um deságio elevado - 18% para vales-refeição e alimentação e 50% para vales-transporte. Tudo pago à vista. "No caso do vale-alimentação, o trabalhador que optasse por receber em depósito bancário, o desconto era de 14%", explicou a delegada Patrícia Aguiar, chefe da Delegacia de Defraudações.

Um dos alvos dos mandados foi um escritório que ocupava dois andares de um prédio na Rua da Quitanda, no Centro financeiro do Rio. No endereço que, segundo a delegada, mais parecia uma agência bancária, havia dezenas de funcionários uniformizados, sete caixas para atendimento, organização eletrônica da fila, diversos computadores e aparelhos de ar-condicionado, câmeras de monitoramento, acesso dos funcionários por senha eletrônica e segurança privada. No local, a polícia apreendeu cerca de R$ 400 mil, 133 máquinas de cartão, mais de 5 mil cartões refeição e alimentação, 28 validadores de vale transporte, computadores, documentos diversos, comprovantes de pagamento e de transferência bancária, cheques, joias e relógios.

Cinco pessoas foram conduzidas coercitivamente à delegacia. A ação de ontem é desdobramento da Operação Fantoche, deflagrada em outubro. Nas investigações, os policiais identificaram cerca de 130 empresas "fantasmas" do ramo alimentício, em nome de 47 "laranjas", criadas exclusivamente para obter o credenciamento de máquinas de cartões e abrir contas bancárias. As firmas têm os mesmos sócios e endereços, embora nenhuma exista fisicamente e nem possua sequer um funcionário. De acordo com a delegada, a quadrilha é chefiada por Nivaldo Gomes Pereira, que não foi localizado.

 

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Dinheiro,validadores,máquinas de cartão,tíquetes de benefícios entre outros itens, foram apreendidos pela delegacia de Defraudações em escritório na Rua da Quitanda, no centro da cidade e apresentados na sede da especializada na Cidade da Polícia. Estefan Radovicz/agência O Dia
Dinheiro vivo apreendido na 'agência' montada pela quadrilha Estefan Radovicz/Agência O Dia

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