Baixada cada vez mais perigosa

Dados do ISP revelam que a região teve quase duas vezes mais mortes violentas que a cidade do Rio

Por O Dia

Levantamento de segurança com números alarmantes da violência na região foi divulgado nesta semana. Resultado é o pior desde 2013
Levantamento de segurança com números alarmantes da violência na região foi divulgado nesta semana. Resultado é o pior desde 2013 - Arquivo O DIA

O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP) divulgou esta semana um balanço da violência. Dados revelam que a Baixada Fluminense tem o maior número de mortes violentas do estado em intervenções policiais.

Enquanto a capital é a campeã dos homicídios decorrentes de intervenção policial, a Baixada Fluminense fica com o maior número de mortes violentas do Rio. Seguindo a curva iniciada em 2013, que colocou a região no topo do número de vítimas, os municípios da Baixada Fluminense registraram no ano passado 1.955 mortes violentas intencionais, resultando em uma taxa de morte violenta intencional por 100 mil habitantes quase duas vezes maior que a Capital, que registrou 1.124 mortes. 

"A Baixada Fluminense aparecer no topo dessa lista é reflexo do perverso grau de seletividade das políticas públicas e ausência do poder público. Aqui fica exposta mais uma face da desigualdade no tratamento dado à região Metropolitana do Rio de Janeiro e a precariedade das políticas públicas de educação, saúde, moradia, saneamento e emprego na Baixada Fluminense. Por sua vez, são os jovens, negros e do sexo masculino dessa região que ficam ainda mais expostos à violência letal. As autoridades estaduais estão cientes, há muito tempo, do padrão de violações de direitos e execuções extrajudiciais cometidas pelas polícias no Rio de Janeiro. Falta vontade política para adotar as medidas efetivas para acabar de vez com a alta letalidade", disse Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil. 

O relatório mostrou ainda que a maior parte dos casos de homicídios pela polícia não é sequer investigado. Em julho de 2016, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro finalizou os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurou os homicídios decorrentes de intervenção policial no Estado entre 2010 e 2015. O documento final da Comissão foi aprovado por unanimidade pelos deputados membros da CPI, porém ainda não foi votado no plenário da Casa. Para validar as recomendações e garantir vinculação das recomendações na atuação do Ministério Público e do Poder Executivo fluminense, é preciso que o relatório seja aprovado pela maioria do colegiado. 

Somente no ano passado, as polícias Civil e Militar foram responsáveis por 16,7% dos assassinatos em todo estado do Rio.

Comentários