Automania no ar: E com 50 mil quilômetros?

Duster, após quilometragem, apresenta vários problemas, como acabamento solto, falhas no sistema elétrico e até na vedação

Por O Dia

Rio - Você que lê notícias de automóveis e fica babando com os lançamentos, novas tecnologias e atualizações, raramente se dá conta da vida destes carros a longo prazo. Nós, que os avaliamos, também. Além de passíveis de lesões pulmonares por causa do cheirinho de carro novo que convivemos diuturnamente — sim, as colas e plásticos em reação provocam lesões nos alvéolos — usamos os carro no ‘modo ótimo’. Isto é, no seu melhor ponto de vida.

Recebemos, ainda, veículos carinhosamente ‘preparados’ pelos fabricantes para serem submetidos às avaliações da imprensa. Isto significa que são carros que não estarão nas lojas.

Ajustes finos em acabamentos, acertos de motores que em alguns casos recebem até virabrequins balanceados estão no rol de ‘aperfeiçoamentos’ que estes automóveis de teste transportam.

Sem falar em chips de potência que são ilegais, mas valorizam um carro de motor pequeno. As iniciativas técnicas acabam mascarando uma realidade que você irá conhecer nas ruas, a longo prazo.

Duster%2C após 50 mil km%2C apresenta vários problemas%2C como acabamento solto%2C falhas no sistema elétrico e até na vedação — água da chuva entra no carroDivulgação

Dos modelos com os quais tive um largo convívio, elogios plurais aos Suzukis Grand Vitara e SX4, que simplesmente têm o padrão de fábrica e duram muito, em todos os sistemas.

O Grand Vitara chegou aos 10 anos de uso sem ‘abrir o bico’, apesar do uso intensivo de tração, reduzida e caixa automática, on e off road. Apresentou, depois deste tempo, pequena fadiga no compressor de ar condicionado. E só.

O SX4 também. Nunca deu nada além das manutenções periódicas.
Outro japonês surpreendente foi uma Toyota Hilux 98, usada pela fábrica para transportar peças e que foi cedida justamente para uma avaliação de desgaste. O carro estava amassado, mas impecável.

Entre modelos nacionais, merecem a medalha de ouro as picapes Strada. Tive quatro que transportavam de madeira a cimento e mudaram de dono sem lançar o estepe ao chão. Nenhuma delas deu defeito algum. Só alegria com a manutenção barata e a robustez. Receita infalível da Fiat. Na mesma marca, um Mille, um 500 e um novo Uno que também foram carros alheios às críticas negativas.

Da VW, rodei muito com um Polo adquirido no ano do lançamento. Carro confiável até ter defeitos no ar-condicionado digital, de alto custo.

Entre os Citroën, que não tive, o Berlingo de um amigo chegou a rachar as longarinas, como os velhos Santana Táxi no Rio de Janeiro.

A mais recente aquisição, um Duster 4X4 2012, chegou aos 50 mil quilômetros mostrando robustez mecânica e alto custo nas trocas de óleo e alinhamentos de direção frequentes.

Os acabamentos começaram a quebrar e soltar. A tampa de combustível perdeu a trava e os ‘grilos’ apareceram com a alegria do verão. O carro é valente, mas deixa a desejar também na qualidade do sistema elétrico, nos isolamentos que deixaram a água da chuva entrar pelo buraco da antena, nos bancos que cedem, comandos que quebram e relês que queimam.

A julgar pela energia que a Renault está depositando na sua nova linha de SUVs, como o Captur que chega semana que vem, pode-se esperar resistências de consumidores que rejeitam a Renault por conta desta realidade e conceitos que foram arraigados no mercado. E a concorrência hoje não está fácil não.

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