Carros antigos e charmosos

Conheça a cultura dos automóveis de placa preta, que mantêm originalidade e história mesmo com o passar das gerações

Por O Dia

Rio - Carros das décadas de 1970, 1980 ou 1990, que não são mais fabricados, podem ser considerados antigos. Tais modelos, ou pelo menos alguns deles, já são considerados 'clássicos' por características que mexem com o emocional dos entusiastas. Para dar um charme a mais em um veículo do tipo, é possível que a sua placa seja preta, uma forma do órgão de trânsito reconhecer justamente seu valor histórico. Mas é necessário, contudo, que o proprietário siga alguns critérios de avaliação.

O carro candidato precisa ter pelo menos 30 anos e ser avaliado por especialistas%3A donos precisam estar atentos aos critérios Leandro Eiró / Agência O Dia

De acordo com Rogério Mizutani, diretor técnico do Opala Cluberj, a placa preta é um certificado de originalidade do veículo. Ele conta o processo para a obtenção da chapa especial, complexo ao ponto de atender ao seu propósito. "O carro candidato deve ser filiado a um clube, que deve ser federado na Federação Brasileira dos Veículos Antigos (FBVA). O carro candidato, que deve ter mais de 30 anos, passará por uma avaliação de seus componentes dentro do clube", explica.

O especialista conta que, na avaliação, são creditados 100 pontos ao veículo, que são subtraídos na medida em que se encontram avarias e irregularidades, como um roda que não é original, por exemplo. Para obter a placa preta, o carro não pode perder mais de 20 pontos. Caso os técnicos do clube aprovem, é providenciado um documento da análise, com fotos, que é enviado para a FBVA. O processo gera custos, que variam de acordo com o clube.

A popular Kombi é um veículo de importância histórica mundialLeandro Eiró / Agência O Dia

Mizunati lamenta eventuais distorções em torno da aura da placa preta. "Atribuem significados equivocados a placa preta, como cunho especulativo de valor. Acham que o valor do carro vai dobrar. Daí há quem veja, infelizmente, como um negócio, tratando de vender o certificado", explica. O especialista cita que é possível ver carros com a placa preta sem a devida originalidade. Ele menciona, contudo, que a federação está tentando fiscalizar e regular melhor o processo.

A ideia da placa preta deve ser associado com a originalidade, a preservação da história de um automóvel. No Rio, há clubes dedicados neste sentimento, como aqueles que confraternizaram no Américas Classics - Motors & Music, primeiro ano do 'Encontro Interclubes de Motos e Carros Antigos', no Américas Shopping, no Recreio dos Bandeirantes, onde acontecem encontros destas agremiações mensalmente. Os veículos preservados nas fotos são do evento.

De acordo com Gerson Burin, coordenador técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi Brasil), antes de apostar em ter um veículo antigo, o interessado deve estar preparado para encarar muito trabalho, aumentar os seus gastos e conhecer um pouco mais do mercado automotivo. Por isso, todo cuidado com as peças e a pintura são essenciais. 

O especialista observa que deve-se evitar manter tais carros parados. "O importante é colocar o carro para andar com frequência, movimentar os fluidos, óleos e combustível para evitar o ressecamento de peças, mangueiras e até do sistema de freios e embreagem".

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