Por marta.valim

A greve de um grupo dissidente do Sindicato dos Rodoviários do município do Rio deixa o Rio mais uma vez sem ônibus urbanos, apesar do plano de contingência da prefeitura, que colocou a Polícia Militar na porta das garagens para permitir a saída dos coletivos.

O Rio Ônibus, sindicato das empresas de ônibus do Rio, informou que 74 ônibus foram depredados desde o início da paralisação. De acordo com a entidade, os manifestantes estão obrigando os motoristas de ônibus a pararem no meio da viagem e quebrando para-brisas, retrovisores, janelas e furtando chaves.

O secretário de Transportes do município do Rio, Alexandre Sansão, informou que apenas 10% da frota dos 8.749 ônibus urbanos estão em circulação. De acordo com o secretário, a prefeitura prioriza as linhas responsáveis pela integração com outros meios de transporte, como trens e metrô, que estão com horário de pico antecipado desde cedo e fazem intervalos mínimos ao longo de todo o dia.

"Os poucos ônibus que estão circulando hoje estão selecionados para trabalhar em linhas de integração com esses ramais", informou. As linhas de transporte expresso, como o BRT Transoeste, estão operando apenas com o eixo principal.

Segundo o secretário, por uma questão de estratégia, somente a ligação entre o terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, e Santa Cruz está em operação, com apenas 20% da capacidade. Foi liberado também para os carros de passeio o uso do corredeor expresso BRS (Bus Rapid Transit). "Há muito mais carros na rua do que ônibus e não faz sentido usar essa faixa apenas para os ônibus durante a greve dos rodoviários."

De acordo com a Rio Ônibus, a frota em circulação representa 16% do total.

Os pontos de ônibus ao longo da Avenida Brasil, principal ligação entre as zonas oeste e norte com o centro da cidade ficaram lotados por volta das 6h, com muita gente sem conseguir chegar ao trabalho. O mesmo ocorria na Avenida Marechal Rondon e Rua Teodoro da Silva, duas importantes ligações viárias da zona norte com o centro.

Na favela Rio das Pedras, em Jacarepaguá, na zona oeste, os motoristas de transporte alternativo estão cobrando R$ 10 para cada passagem. O secretário de Transportes disse que os motoristas que têm as tarifas regulamentadas não podem usar esse procedimento, porque podem sofrer sanções da Secretaria de Transportes.

O Rio Ônibus informa que vai entrar pela manhã com um pedido no Tribunal Regional do Trabalho para que considere ilegal e abusivo o movimento grevista convocado por um grupo de rodoviários que anunciou a paralisação do serviço de ônibus, nesta terça e quarta-feira, na cidade do Rio.

“A paralisação foi convocada e ocorre de forma ilegal, pois não respeita os princípios e requisitos da lei de greve. O sindicato convoca os rodoviários a voltar ao trabalho para normalizar o serviço prestado à população”, disse o sindicato.

A entidade esclarece ainda que está em vigência um acordo firmado com o sindicato da categoria que assegura o reajuste salarial de 10% e o aumento de 40% da cesta básica, retroativos ao dia 1º de abril, que já estão sendo pagos agora no mês de maio.

Nesta madrugada, a Justiça determinou que quatro líderes da comissão de rodoviários, identificados como Hélio Alfredo Teodoro, Maura Lúcia Gonçalves, Luís Claudio da Rocha Silva e Luiz Fernando Mariano, devem se abster de "promover, participar, incitar greve e praticar atos que impeçam o bom, adequado e contínuo funcionamento do serviço de transporte público, bem como mantenham distância das garagens das empresas consorciadas filiadas ao sindicato [Rio Ônibus]". A decisão foi assinada pela juíza Andréia Florêncio Berto.

Ainda de acordo com a decisão, que cita a violência praticada na última paralisação, no dia 9 deste mês, foi fixada multa de R$ 10 mil por cada ato de descumprimento da decisão.

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