Por douglas.nunes

Rio - Pesquisa do instituto americano Pew Research Center mostra que 72% dos brasileiros estão insatisfeitos com a maneira como as coisas estão indo no país, uma alta em relação à pesquisa anterior, feita poucos dias antes das manifestações de junho de 2013, quando percentual de insatisfeitos ficou em 55%. A inflação foi apontada por 85% das pessoas como o maior problema do país. Já 72% dos entrevistados reclamaram da falta de oportunidades de emprego.

As avaliações sobre a economia pioraram drasticamente ao longo de um ano. O percentual do que responderam que a economia está mal aumentou de 41% no ano passado para 67% neste ano. Já os que disseram que a economia está bem caiu de 59% para 32%. Muitos destacaram a violência (83%), a saúde (83%), a corrupção (78%) e as escolas de baixa qualidade (64%) como os principais problemas do Brasil. 

Protesto contra os gastos públicos na CopaFábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Em 2010, quando a presidenta Dilma Rousseff (PT) ganhou as eleições presidenciais, 62% diziam que a economia ia bem, muito acima dos 36% que tinham uma visão negativa do tema. Naquele ano, 50% estavam satisfeitos com a situação geral do país, enquanto 49% se mostravam insatisfeitos. Para os próximos 12 meses, 20% dos brasileiros disseram que a situação econômica do país vai melhorar muito, metade do observado na pesquisa feita há um ano. Outros 43% que apostam que haverá uma pequena melhora, enquanto 22% acreditam que tudo ficará igual. Já 12% esperam uma pequena piora, acima dos 5% de 12 meses atrás.

Curiosamente, a melhor avaliação do governo Dilma é na condução da economia. Ainda assim, a visão negativa supera em muito a positiva - 63% desaprovam sua gestão econômica, para 34% que a chancelam. Os números pioram para a administração de Dilma nos outros oito temas consultados: pobreza (65% de desaprovação), preparação da Copa (67%), educação (71%) e política externa (71%), transporte público (76%), saúde (85%), criminalidade (85%) e corrupção (86%).

Governo

A pesquisa revela uma divisão em relação ao governo Dilma. Dos entrevistados, 52%  disseram que a influência de sua gestão é negativa para o Brasil, enquanto que 48% a consideram positiva. Brasileiros de maior renda e mais escolarizados desaprovam a presidenta de forma mais contundente, mas mesmo nas classes de menor poder aquisitivo e com escolaridade baixa, a avaliação negativa de Dilma se sobrepõe. “É uma diferença profunda com a opinião sobre seu antecessor e aliado, Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu último ano de segundo mandato (2010) , 84% dos entrevistados afirmaram que Lula estava tendo um impacto positivo sobre o Brasil”, diz o relatório da Pew Research Center.

Eleições 

A sondagem mostra que Dilma é, pessoalmente, vista de forma mais favorável do que seus dois principais adversários nas eleições deste ano. Perguntados se tinham uma visão favorável ou desfavorável da presidente, 51% escolheram a avaliação positiva. No caso do presidenciável do PSDB, o sendaor Aécio Neves, 27% o veem favoravelmente, contra 53% negativamente. Em relação a ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, do PSB, 24% dos entrevistados têm visão favorável e 47%, desfavorável. Marina Silva, vice na chapa de Campos, tem avaliação favorável igual à de Dilma, de 51%, mas recebe menos notas negativas (37% contra 49% da presidenta).

Copa

Os brasileiros também estão preocupados com o impacto que a realização da Copa do Mundo, que começa em 12 de junho. A maioria - 61% -  avaliou que sediar o evento é ruim para o Brasil porque é preciso dinheiro para escolas, saúde e outros serviços públicos - um tema comum nos protestos que varreram o país desde junho de 2013. Apenas 34% acham que a Copa vai criar mais postos de trabalho e ajudar a economia.

Também há ceticismo sobre o benefício internacional de sediar o Mundial. Para 39%, a Copa vai prejudicar a imagem do Brasil no mundo, enquanto 35% afirmaram que o evento vai ajudar e 23% disseram que não terá nenhum impacto.

Para o levantamento do instituto Pew, foram entrevistadas 1.003 pessoas no país. A pesquisa tem margem de erro de 3,8 pontos percentuais para mais ou para menos.

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