Argélia tem equipe 'francesa'

Mundial tem 85 jogadores defendendo países que são a sua segunda nação

Por O Dia

A Copa do Mundo no Brasil terá, ao todo, 85 jogadores defendendo países onde não nasceram. Só a Argélia é responsável por levar 18 jogadores nascidos em outro país — a França, país que mais cedeu atletas a outras seleções, com nove jogadores que se naturalizaram na Costa do Marfim, na Argentina, em Camarões e em Gana.

A naturalização é um caso antigo do futebol. O maior jogador da história de Portugal, Eusébio, nasceu em Moçambique. O caso dos argelinos é ligado à história do país. A maioria dos atletas nascidos na França é formada por filhos de argelinos que fugiram de seu país por causa das guerras e conflitos internos.

Segundo a presidente da Associação Brasileira de Antropologia (Aba), Carmen Rial, embora a França tenha uma política de integração, na prática, os laços com as origem étnicas dos argelinos são mantidos. “Esses imigrantes moram nos subúrbios e continuam com práticas religiosas, língua e costumes da Argélia”, disse.

Bósnia e Herzegovina, Croácia e Suíça também disputarão com seis estrangeiros cada. No contra-ponto, apenas seis seleções — Brasil, Colômbia, Coreia do Sul, Equador, Honduras e Rússia - participam da Copa sem nenhum “estrangeiro” entte seus jogadores convocados.

Esta edição do mundial também terá cinco brasileiros jogando por outras seleções. Todos escolheram defender os países onde fizeram carreira no futebol. O caso mais recente foi o de Diego Costa — que foi vaiado e chamado de “traíra” em Salvador, no jogo em que a Espanha foi goleada pela Holanda por 5 x 1, na sexta-feira. O atacante do espanhol Atlético de Madrid chegou até a ser convocado para dois amistosos da seleção brasileira, mas escolheu a Espanha no fim do ano passado.

Pelas regras da Fifa, o jogador pode defender outra seleção nacional enquanto não fizer uma partida oficial pelo país de origem. A decisão de Diego Costa causou repercussão, pois mesmo não convocado regularmente, tinha condições de entrar no grupo da seleção.

Os demais casos de naturalização de brasileiros foram menos questionados. Bisneto de italiano, Thiago Motta escolheu a Itália, onde atuou de 2008 a 2012, passando pelo Genoa e pela Inter de Milão. Pepe passou pelo Marítimo e pelo Porto e, em 2007, se naturalizou português. Já a Croácia terá Sammir e Eduardo, que fizeram a carreira no país. Todos tiveram passagem rápida por clubes brasileiros, mas nunca foram convocados pela seleção.

Um caso curioso é o do meia Janujaz, nascido na Bélgica, que joga no Manchester United, da Inglaterra. Seus pais são Kosovo e no ano passado, quando brilhava no futebol inglês com apenas 18 anos, ele foi convidado a jogar por Sérvia, Turquia, Albânia, Kosovo e até pela Inglaterra. Demorou meses para se decidir e, no início de 2014, acabou optando por continuar belga. Sua estreia aconteceu em 27 de maio, no segundo tempo do amistoso da Bélgica contra Luxemburgo.

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