Por marta.valim

O sucesso de seleções mais “modestas” na Copa do Mundo — como a Costa Rica — e a decepção de equipes recheadas de jogadores caríssimos, como a Espanha, reforçam a tese de que, no futebol, ter atletas e técnicos mais valiosos nem sempre é sinônimo de sucesso no esporte.

Maior destaque da primeira fase, a Costa Rica surpreendeu a todos ao passar em primeiro lugar no “grupo da morte” (D), que contava com Inglaterra, Itália e Uruguai. O resultado é ainda mais expressivo levando em conta a posição ocupada pela seleção costarriquenha no ranking dos valores dos times da Copa. Somente à frente de Honduras, Austrália e Irã, a equipe aparece na 29ª colocação, com os passes de seus jogadores avaliados em € 29,63 milhões. No topo da lista, está a Espanha, atual campeã do mundo e eliminada na primeira fase, cujo elenco vale € 622 milhões — 21 vezes mais do que a sensação caribenha. Sozinho, o craque argentino Lionel Messi, o passe mais valorizado do mundo, tem valor de mercado quatro vezes maior do que o de toda a seleção costarriquenha: € 137,6 milhões (R$ 416,9 milhões).

Os atletas de maior destaque da Costa Rica possuem valores bem modestos, se comparados às estrelas da Copa. O principal é o camisa 10 e capitão Bryan Ruiz, autor do gol contra a Itália, que garantiu aos caribenhos a histórica classificação. Avaliado em € 8 milhões (R$ 24,1 milhões), o atacante atua pelo PSV Eindhoven, da Holanda. Mesmo no mercado brasileiro, é possível encontrar alguns atletas mais valiosos do que o craque costarriquenho: Leandro Damião (€ 16 milhões), Nicolás Otamendi (€ 12 milhões), Alexandre Pato (€ 10 milhões) e Dedé (€ 9 milhões).

Outro atleta que tem se destacado, Joel Campbell — que esteve emprestado ao Olympiacos da Grécia no último ano, pelo Arsenal, e deve retornar ao clube inglês para a próxima temporada — está com seu passe cotado em € 5 milhões (R$ 15 milhões). Bem mais do que seu colega Giancarlo González, zafgueiro do Columbus Crew, dos EUA, avaliado em “módicos” € 600 mil (R$ 1,8 milhão).

Há grande expectativa de que estes e outros jogadores se transfiram para os grandes centros do futebol após a Copa. Porém, mesmo antes do fim do torneio, as especulações já começaram. O goleiro Keylor Navas, cotado em € 4 milhões (R$ 12 milhões), atua pelo mediano Levante da Espanha e foi eleito o melhor da posição no último Campeonato Espanhol. Ele desperta interesse de clubes como Porto e Atlético de Madri, mas disse que prefere adiar a decisão para focar-se inteiramente no torneio.

Outra comparação que exibe um grande contraste é o salário dos técnicos. No próprio “grupo da morte”, estão o segundo e terceiro treinadores mais bem pagos nas seleções do Mundial. Por coincidência, eles comandam, justamente, as duas equipes eliminadas. Roy Hodgson, da Inglaterra, recebe € 3,5 milhões (R$ 10,6 milhões) por ano; e Cesare Prandelli, da Itália, € 2,6 milhões (R$ 7,8 milhões). Eles são superados apenas pelo inglês Fabio Capello, que dirige a Rússia por € 6,7 milhões (R$ 20,2 milhões) anuais. Os técnicos de Uruguai e Costa Rica ocupam, respectivamente, a 17ª e a 26ª posições. Enquanto a remuneração anual do técnico da Celeste, Óscar Tabárez, é de € 750 mil (R$ 2,3 milhões), Jorge Luis Pinto recebe € 262,5 mil (R$ 792,1 mil).

Antecedido pela Alemanha, o Brasil possui o terceiro grupo mais valioso. Liderada por Neymar — terceiro jogador mais caro do mundo, avaliado em € 68,1 milhões (R$ 206,3 milhões) — a Seleção possui valor de mercado de R$ 1,4 bilhão. Além da estrela do Barcelona, o atacante Hulk, que vale € 42,9 milhões (R$ 130 milhões), e o meia Oscar, avaliado em € 40,1 milhões (R$ 121,5 milhões), também estão entre os 20 jogadores mais caros da competição.

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