Em evento de comemoração do pré-sal, governo sai em defesa da Petrobras

Dilma Rousseff, o ministro Lobão e Graça Foster afiaram o discurso para enaltecer a estatal e criticar a oposição, que elegeu a empresa como um de seus alvos prediletos

Por O Dia

O governo transformou a cerimônia pela comemoração dos 500 mil barris por dia do pré-sal, realizada na terça-feira pela Petrobras, em um grande ato de desagravo à estatal, em mais uma indicação do papel central que a companhia deverá ter na campanha eleitoral deste ano. Com discursos inflamados, a presidenta Dilma Rousseff e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, atacaram críticos e minimizaram as denúncias de corrupção na empresa: “Fatos isolados não abalarão a Petrobras”, afirmou Dilma.

A companhia tem sido um dos alvos preferidos da oposição neste período pré-eleitoral, acusada de ser vítima de aparelhamento político pelo governo do PT. O candidato à Presidência pelo PSDB, senador Aécio Neves, vem repetindo que pretende “reestatizar” a companhia, em alusão a uma suposta tomada de sua gestão por interesses partidários. Na semana passada, Dilma já havia respondido às acusações, lembrando que o governo Fernando Henrique Cardoso tentou mudar o nome da empresa para “Petrobrax”.

Terça-feira, ela voltou ao tema e foi além. “Como vem ocorrendo invariavelmente ao longo da nossa história, a cada avanço da Petrobras, volta o alarido das vozes dos que sempre quiseram que ela tivesse um papel menor, dos que quiseram tirar do seu nome o ‘Bras’, de Brasil, e colocar um ‘Brax’ estrangeiro, ou daqueles que querem que sua rentabilidade de curtíssimo prazo prevaleça sobre o fortalecimento a médio prazo da empresa”, afirmou. “Mas isso não nos intimida, nem vai mudar o sentimento dos brasileiros com a Petrobras”.

No evento, a Petrobras anunciou ter ultrapassado a média de 500 mil barris por dia produzidos no pré-sal. O recorde de produção diária, obtido em 24 de junho, foi de 520 mil barris. “Levamos 31 anos para produzir os primeiros 500 mil barris. Agora, com o pré-sal, a marca foi atingida em apenas oito anos”, frisou o diretor de exploração e produção da estatal, José Formigli. A expectativa da empresa é que o pré-sal ultrapasse os 2 milhões de barris/dia em 2020, quando responderá por 53% da produção nacional.

“Este é o Brasil que vence o pessimismo. Esse é o Brasil que não aceita a crítica pela crítica”, afirmou Lobão. “A Petrobras nunca faltou com o Brasil. Faltam com a Petrobras aqueles que a criticam”, acrescentou. Na cerimônia, governo e empresa defenderam ainda a contratação direta para a exploração de volumes excedentes da cessão onerosa, que garantiu à estatal o acesso a reservas estimadas em 10 a 15 bilhões de barris, em troca do pagamento de um bônus de R$ 2 bilhões este ano e da antecipação de R$ 13 bilhões em receitas para a União até 2018.

Segundo Dilma, os campos do pré-sal renderão ao Fundo Social cerca de R$ 1,3 trilhão em 35 anos, recursos que devem ser direcionados à saúde e à educação. “Imaginem o quanto as políticas de educação e saúde poderão avançar, imaginem como pode crescer a qualidade dos serviços de saúde e educação oferecidos à nossa população”, disse a presidenta. Com mais de R$ 1 bilhão em caixa, porém, o fundo ainda não foi regulamentado e vem contribuindo para compor o superávit primário.

A presidenta lembrou ainda que a Petrobras contratará 10 plataformas adicionais para produzir nos campos da cessão onerosa, gerando negócios para a indústria nacional fornecedora de bens e serviços, outro dos pilares, segundo ela, da nova política brasileira para o setor de petróleo. “As vozes dos que querem diminuir a importância da Petrobras no cenário do petróleo brasileiro e internacional se perderão, mais uma vez, no deserto. Aliás, serão enterradas na imensidão dos mares, cujas riquezas pertencem, mais que nunca, ao povo brasileiro”, concluiu.

Em 2006, às vésperas da corrida pela reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também protagonizou cerimônia comemorativa na Petrobras, na qual celebrou-se a conquista da autossuficiencia nacional na produção de petróleo, com o início das operações da plataforma P-50, na Bacia de Campos. A festa se mostrou inócua dois anos depois, quando o país voltou a ser importador líquido de petróleo devido às dificuldades em elevar a produção no mesmo ritmo do crescimento do consumo.

A estagnação da produção de petróleo nos últimos anos é uma das principais queixas de investidores privados, que reclamam de ingerência política e foram os principais críticos da contratação de novas reservas no momento em que dificuldades de caixa pressionam as ações da empresa em bolsas de valores. “É uma questão de tempo”, disse a presidente da estatal, Graça Foster, concordando que o valor de mercado da empresa está abaixo do ideal. “Na hora em que eu entregar o que estou dizendo que vou entregar, tenho certeza que as ações vão subir”.

Graça informou que a Petrobras está pronta para iniciar as licitações para construção das refinarias premium do Ceará e do Maranhão, processos que foram suspensos devido ao alto custo do investimento. Segundo ela, a área técnica da companhia já finalizou os estudos de viabilidade e chegou a um projeto que respeita parâmetros internacionais de preços para a construção de instalações de refino. A ideia é ter parceiros nos dois empreendimentos. Graça disse que as licitações serão iniciadas até o final do ano.

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