Torcida tem medo de ser feliz?

Para o jogo de hoje, contra a Colômbia, em Fortaleza, a torcida brasileira ganhou um companheiro pior do que muito amigo pé-frio: o medo

Por O Dia

O  empate com México foi o primeiro susto. No jogo seguinte, a goleada sobre Camarões acalmou os ânimos. Mas aí veio a classificação nos penalties — um sofrimento só... — contra nosso velho freguês, o Chile. Pronto. Para o jogo de hoje, contra a Colômbia, em Fortaleza, a torcida brasileira ganhou um companheiro pior do que muito amigo pé-frio: o medo.
Em poucos dias, o noticiário descobriu vários problemas ameaçando o desempenho da seleção de Luiz Felipe Scolari para a partida desta tarde. A esperança, sustentada por tantos excelentes jogadores no time — Neymar, Thiago Silva, David Luiz, Fred, Oscar, Paulinho, Dani Alves, Marcelo — e pela mística da Família Scolari, deu lugar a uma insegurança nacional.
Às 17h em ponto, pelo menos nove em cada dez brasileiros deverão estar grudados na televisão com o verde e amarelo no figurino, e o coração na mão. Mas também com muito medo de que algum dos fantasmas dos últimos dias entre em campo para estragar a festa.
Para exorcizar monstros, nada melhor do que encarar os problemas para esta tarde. Porque, hoje, não é um dia para ter medo de ser feliz.

O CHORO E A EMOÇÃO 

O melhor jogador chora, o capitão do time chora, o goleiro herói chora. Não estamos acostumados a ver nosso ídolos do futebol aos prantos. Passa a sensação de fraqueza emocional. Emocional, aliás, que anda em baixa com o capitão Thiago Silva, que não aguentou a barra da decisão por penalties, contra o Chile. A responsabilidade de ganhar a Copa para 200 milhões de brasileiros parece pesar sobre boa parte do time, que tem muitos jogadores jovens e aparentemente assustados por jogar o Mundial junto à sua própria torcida.

OTIMISMO PERIGOSO

Todas as versões sobre o fiasco da Final da Copa de 50 dizem que uma das maiores causas da derrota para o Uruguai foi cantar vitória antes da hora. E o que acontece em 2014? Parreira (foto), fiel escudeiro de Felipão, desde o ano passado brada aos quatro cantos que a Copa é nossa, o Brasil é favorito. No início da Copa, Felipão entrou nesse clima. E o otimismo antecipado contagiou a imprensa e a torcida. O que só fez aumentar a frustração geral, quando se constatou que havia, de verdade, poucas razões para tanto otimismo. Mesmo sem o Uruguai pela frente, esse fantasma de 1950 assusta.

FRED: PARADO OU ISOLADO?

O atacante, que brilhou na Copa das Confederações, começou o Mundial como titular absoluto. Mas fez apenas um gol em quatro partidas. Poucas vezes pegou na bola e hoje pode amargar o banco de reservas. Alguns acham que a culpa é do meio de campo, que não cria jogadas para ele. Outros o acusam de falta de iniciativa, de ficar como um cone, parado, esperando a bola chegar. Seu reserva, Jô, não convenceu nos poucos minutos que jogou. Nas redes sociais, diz-se que “ruim com Fred, pior sem ele”. Uma saída seria Felipão abandonar o clássico esquema de manter um centroavante fixo. Pelos últimos treinos, essa pode ser uma surpresa no jogo de hoje.

HULK

As mulheres suspiram com seu bumbum avantajado. Há até um vídeo circulando nas
redes sociais, que mostra o atacante rebolando a derriére no show de uma dupla sertaneja. Em campo, ele é raçudo, corre bastante, disputa bolas com vigor, mas... quando precisa demonstrar técnica e visão de jogo para finalizar a jogada, tem se mostrado atabalhoado e nervoso. Não passa firmeza. Felipão insiste nele, mas a torcida está insegura com Hulk.

DANI ALVES

O que está acontecendo com o lateral direito do Barcelona, considerado um dos melhores do mundo? Ele não está rendendo no ataque e, ao mesmo tempo, é do seu lado da defesa que
estão passando as mais perigosas investidas contra o Brasil. A pergunta corrente é: por que
ele ainda permanece como titular? O coro para Felipão dar uma chance ao reserva Maicon é crescente.

MEIO DE CAMPO

No primeiro jogo, Oscar foi um gigante em campo. Mas contra México e Camarões, o volante sumiu. Seu jogo só reapareceu, um pouco, no último jogo, depois que Felipão fez uma mudança no meio de campo: Fernandinho, no lugar de Paulinho. Funcionou, mas não o suficiente. Nosso meio de campo não consegue criar, nem dominar as ações para gerar oportunidades para os atacantes marcarem. Hoje, Felipão não conta com Luiz Gustavo, suspenso, e deve voltar com Paulinho, ou optar por Hernanes, Ramires ou ainda Henrique. Muitas opções, mas qual a solução?

LÍDER? QUEM?

Em 70, Gerson e Carlos Alberto. Em 82, Sócrates, Zico, Falcão e Júnior. Em 94, Dunga. Em 2002, Cafu. A seleção sempre teve algum líder. Aquele que grita e orienta os colegas, dentro e fora do campo. Mas a seleção do Felipão, não tem. O capitão Thiago Silva, tímido, não exerce este papel. Neymar, o craque, com apenas 22 anos, também não. Fred, 30 anos, é líder no Fluminense, mas na seleção, não. A volta de Paulinho, hoje, teria sido decidida por Felipão após ver o volante puxar para si esse papel, ao estimular os colegas que bateriam os penalties contra o Chile.

A ZAGA

Virou lugar comum dizer que o Brasil tem a melhor dupla de zagueiros do mundial, Thiago Silva e David Luiz — este último apontado no ranking da Fifa como melhor jogador da Copa até agora. Mas foram justamente as falhas de defesa que permitiram os gols de Camarões e Chile, além de várias outras oportunidades de perigo dos adversários em quase todas as partidas. Desatenção? Falta de entrosamento? O que está havendo? Perguntas que estão na boca dos torcedores, com medo de a melhor zaga do mundo falhar de novo...

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