Por marta.valim
Publicado 22/07/2014 13:59 | Atualizado 22/07/2014 14:02

A redução dos custos, tema do Encontro Nacional de Comércio Exterior deste ano, é vista pelo presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, como um dos principais desafios ao comércio exterior no país.Para o executivo, está na hora de debater menos o nível da taxa cambial, sobre a qual os empresários não têm ingerência, e focar na competitividade, produzindo mais com desembolso menor.

“Temos que discutir menos o câmbio e mais a redução de custos. Só é possível diminuir as importações, sem protecionismo, com essa redução”, afirma Castro. “O câmbio é provisório e teve uma grande oscilação nos últimos anos. O empresário não tem controle sobre o câmbio, além disso, o importador sabe qual é a vantagem dele. Já a redução dos custos para as empresas exportadoras é definitiva e a longo prazo”, argumenta.

Reduzir os custos envolvidos nas importações e exportações, contudo, não é tarefa fácil e envolve medidas de longo prazo. Entre as quais, o presidente da AEB aponta as reformas tributária e trabalhista, maiores investimentos em infraestrutura e menos entraves burocráticos. “Precisamos ter uma visão de futuro. Se não discutirmos essas questões agora, quando haverá um reflexo [no comércio exterior]?”, questiona Castro.

A economista da FGV Lia Valls afirma que o ambiente de negócios tem sido a principal discussão em relação ao comércio exterior. “Um dos destaques do acordo de Bali [assinado em dezembro na 9ª conferência ministerial da Organização Mundial de Comércio] foi a facilitação do comércio”. Uma indicação da relevância desse tema, segundo ela, é a publicação do estudo Doing Business, pelo Banco Mundial anualmente, sobre os custos e entraves de se fazer negócios em um país.

Os indicadores do comércio exterior, presentes na pesquisa, são o número de documentos e o tempo em dias para exportar/importar e o custo de exportação/importação por contêiner. Na pesquisa de 2014, o Brasil ocupa a 116ª posição entre 189 países.

Para Valls, contudo, o governo brasileiro tem tomado medidas para minimizar esses procedimentos, como a criação do Simplex (câmbio simplificado para a exportação) e dos corredores de exportação. Outra medida, citada pelo presidente da AEB, é o Portal Único do Comércio Exterior, que permitirá que as empresas apresentem as informações uma única vez aos órgãos federais, o que irá reduzir a burocracia e os custos de exportadores e importadores.

“Mas, se tudo caminhar bem, as medidas terminarão de ser implementadas em 2017”, pondera Castro, lembrando que existem 17 órgãos de comércio exterior no país. Ele também sugere a criação de um programa semelhante ao Exporta Fácil, dos Correios, pela via marítima, já que 96% das exportações brasileiras são feitas por essa via.

Leia também: Custos para exportação pesam mais sobre PMEs

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Encontro Nacional de Comércio Exterior – Enaex 2014

Centro de Convenções Sul América

Av. Paulo de Frontin, 01. Centro, Rio de Janeiro

7 e 8 de agosto, de 8h às 18h00

Inscrições gratuitas pelo site: www.enaex.com.br

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