Por bruno.dutra

São Paulo - O Salão Internacional do Automóvel de São Paulo abre amanhã ao público no momento em que o setor automobilístico brasileiro enfrenta uma de suas piores crises. As vendas acumulam queda de 9,1% até setembro; as exportações caíram 38,5% e o emprego, apesar de todos os incentivos do governo, foi reduzido em 5,5%, sem contabilizar as inúmeras empresas que têm funcionários em lay-off (contratos suspensos). Ainda assim, as montadoras garantem que o interesse no Brasil não deixa de crescer. Tanto é assim que, mesmo em crise, o evento aumentou em 20% sua área de exposição de montadoras e deve atrair 750 mil visitantes de 30 de outubro a 9 de novembro.

Quando os executivos vão ao microfone expor seus investimentos, vê-se milhões e bilhões empregados no Brasil, na forma de fábricas, aperfeiçoamento de linhas de produção e centros de desenvolvimento. A Audi, marca premium alemã, anunciou R$ 500 milhões para aumentar, até 2020, a presença de seus carros no mercado nacional com dois modelos, o A3 Sedan e o SUV Q3, saindo da sua unidade em São José dos Pinhais (PR).

O primeiro dia do Salão de São Paulo também mostrará uma tendência, ainda muito tímida comparada ao que é exibido em showrooms mundo afora, do aumento da oferta de híbridos e elétricos. Tal segmento depende de incentivos do governo, que neste ano já proporcionou às montadoras darem passos à frente. Quem responde principalmente pelo anseio da mobilidade alternativa são Toyota, Honda, Nissan, Porsche, Audi e Renault.

Ainda assim, o cenário do 28 º Salão é bem diferente do vivido no evento anterior, em 2012, quando o setor teve recordes de venda de 3,8 milhões de autoveículos nacionais e importados. Neste ano, até setembro, foram vendidos 2,53 milhões — muito distante do recorde anterior. Segundo a Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora do evento, esta edição será a maior da história da feira, considerada a 5ª mais im<CW-29>portante do mundo. Para o vice-presidente da empresa, Paulo Octavio Pereira, o salão será um termômetro para o mercado brasileiro.

Presidente da Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan reconhece o ano difícil, mas acredita numa melhora neste último trimestre. Ele usa como justificativa o fato de haver mais dias úteis e também a abertura do Salão, que “é um motivador das vendas”, disse Moan. Ele conta ainda com a sazonalidade de fim de ano, em razão das festas e do pagamento de 13º salário, para impulsionar as vendas.

Presidente da FCA (Fiat Chrysler Automobiles), Cledorvino Bellini também crê em uma retomada da economia — e consequentemente das vendas do setor — já em 2015. Mas para isso, disse ontem na abertra do evento, a equipe econômica do governo precisará fazer ajustes para restaurar a credibilidade e a transparência junto aos agentes econômicos. Ele espera a redução da inflação e dos juros ao consumidor como incentivadores.

Previsto para durar até o fim deste ano, o setor defende a manutenção da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) como forma de incentivar a vendas de veículos no início de 2015. A expectativa é iniciar o próximo ano ainda com estoque elevado.

“O IPI como está hoje faz parte da indústria. O consumidor já se acostumou com ele”, disse o presidente da GM para a América do Sul, Jaime Ardila, frisando que a indústria de veículos é uma importante empregadora e responsável por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial. Segundo o executivo, a eficácia da redução do IPI já está comprovada. Ardila citou ainda que o governo deveria adotar medidas de estímulo ao crédito para veículos.

A escassez de crédito foi um ingrediente a mais apontado pela Anfavea como redutor das vendas ao longo deste ano, especialmente no primeiro semestre. Entretanto, disse o presidente da Anfavea, após o governo anunciar medidas que facilitarão a retomada do bem em caso de inadimplência, a situação começou a mudar.

Na divulgação no inicio deste mês, Moan disse que alguns bancos de varejo já reduziram as taxas de juros e estenderam o prazo de financiamento para veículos. Como exemplo, disse que as taxas de financiamento caíram da média de 1,3% ao mês para menos de 1%.

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