Por bruno.dutra

Rio - A Região Metropolitana do Rio de Janeiro poderá receber mais dez corredores exclusivos de ônibus articulados até 2018, além dos dois já existentes — Transcarioca e Transoeste — e de mais dois que devem ser inaugurados até 2016 — Transolímpica e Transbrasil. Entre os projetos, preparados em conjunto pela Fetranspor e a Câmara Metropolitana de Integração Governamental, vinculada ao governo do estado, um dos mais polêmicos é o que prevê a implantação de um BRT na Ponte Rio-Niterói, concessão federal que será licitada novamente até junho do ano que vem.

A proposta enfrenta resistência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Há também previsão de quatro BRTs na Baixada Fluminense, outros quatro na parte leste da Região Metropolitana e um no recém-inaugurado Arco Metropolitano, da Baixada à Zona Oeste.

Os projetos, que visam desafogar o trânsito em várias vias expressas e promover uma maior integração entre as cidades da Região Metropolitana, foram citados pela diretora de Mobilidade Urbana da Fetranspor, Richele Cabral, durante a 4ª Conferência Cidades Verdes, que reuniu, na semana passada, intelectuais, políticos e ativistas ligados à preservação do meio ambiente e à mobilidade urbana, na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

“O que nós temos pensado para o futuro do estado é uma malha completa. Caso todos esses estudos saiam do papel, mais de 60% da população da Região Metropolitana estará se locomovendo com transporte de massa em quatro anos”, afirmou Richele, ainda guardando segredo sobre as localizações, os orçamentos e qualquer detalhamento das obras. O gerente de Mobilidade da Fetranspor, Guilherme Wilson, contou que as informações completas dos empreendimentos serão apresentadas nesta semana durante o 16º Etransport, um dos maiores eventos do setor de transportes do país, que ocorre entre amanhã e sexta-feira na Zona Oeste do Rio.

A hipótese do BRT na Ponte Rio-Niterói, por onde passam cerca de 160 mil veículos por dia em ambos os sentidos, foi inicialmente rejeitada pela ANTT depois que a Câmara Metropolitana solicitou a inclusão do projeto na licitação da concessionária que administrará a via nos próximos 30 anos. Os técnicos do órgão avaliaram que, além de extrapolar o investimento previsto, o projeto comprometeria a fluidez do trânsito.

Corredores de ônibus reduzem emissões de gases

Entre os dez BRTs em estudo, três já eram conhecidos e vêm sendo reivindicados: o Transbaixada, que permitirá a integração dos municípios da Baixada Fluminense, prometida no primeiro mandato do ex-governador Sérgio Cabral; o Transoceânica, que prevê a integração de ônibus, bicicletas e estação hidroviária para reduzir o tempo de percurso entre a Zona Sul da cidade de Niterói, no Leste Fluminense, e a Região Oceânica; e um corredor expresso que cortará o município de São Gonçalo. O único com obras em andamento é o Transoceânica, que deve ficar pronto em 2016. Contatado para dar mais esclarecimentos, o coordenador da Câmara Metropolitana, Vicente Loureiro, não foi localizado.

A Fetranspor estima que, até 2018, caso saiam do papel, os investimentos proporcionarão queda da emissão de gases de efeito estufa: seriam menos 7% de monóxido de carbono, 20% de gases hidrocarbonetos, 7,5% de NOX, 22% de material particulado e 5% de gás carbônico na atmosfera. “Estima-se uma redução de três ônibus convencionais para cada articulado em operação”, explica Richele Cabral, da Fetranspor, ressaltando que cerca de 800 veículos já foram retirados das ruas desde a implantação do primeiro BRT, o Transoeste, inaugurado há dois anos

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