Por bruno.dutra

São Paulo - Desde dezembro do ano passado o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) da Fundação Getúlio Vargas não apresentava um resultado positivo. Agora, em outubro, estancou a queda. Com alta de 4,3% na comparação com setembro, o índice atingiu 74,7 pontos.

Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre), diz que o resultado de outubro surpreendeu positivamente, especialmente nas atuais circunstâncias, quando os dados oficiais de atividade econômica ainda não captaram essa mudança. “O índice surpreendeu mostrando forte melhora na expectativa futura de geração de emprego, apontando para uma reversão total de humor em todos os níveis”, disse ontem, durante a divulgação da pesquisa.

Segundo Barbosa Filho, o resultado de outubro foi puxado por um crescimento na tendência de negócios no setor de serviços, pela melhor percepção em relação ao emprego pelo consumidor e, principalmente, pela forte recuperação na tendência de negócios na indústria.

Dos sete componentes do índice, quatro apresentaram resultado positivo no mês passdo. O destaque ficou com o otimismo demonstrado pelos empresários da indústria e de serviços para os próximos seis meses, com variação de 17,7% e 6,4%, respectivamente. A avaliação do consumidor sobre o nível futuro de emprego também melhorou, variando 7,1%.

No caso do otimismo dos empresários da indústria, Barbosa Filho acredita que pode ser uma compensação pelas fortes quedas das sondagens anteriores. Por outro lado, ele salienta que a pesquisa tenta filtrar fatores sazonais, como a melhora tradicional do humor que ocorre na proximidade do fim de ano por conta das festas. “Historicamente os empresários iniciam o ano mais animados, e isso pode ter influenciado no resultado de outubro”, explicou.

Por isso mesmo, disse o pesquisador, ainda é cedo para dizer que se trata de uma tendência para os próximos meses. “Considerando os ajustes que o governo terá de fazer no próximo ano — e que já vem sinalizando que fará — é preciso esperar e conferir se essa melhora de outubro vai se repetir nas próximas divulgações, ou se foi apenas um ponto fora da curva por conta do otimismo desta época”, afirmou o professor da FGV.

O IAEmp é construído com uma combinação de séries extraídas das Sondagens da Indústria, de Serviços e do Consumidor. Por conta disso, tem a capacidade de antecipar os rumos do mercado de trabalho no país.

Futuro melhor, mas emprego atual permanece estável

A pesquisa apontou ainda que o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) ficou relativamente estável entre setembro e outubro, ao variar 0,1%. No mês passado, as classes que mais contribuíram para a estabilidade do índice foram as duas extremas: de um lado, as pessoas com faixa de renda até R$ 2.100 esperam uma elevação da taxa de desemprego (1,3%); de outro, as pessoas com renda superior a R$ 9.600, menor taxa de desemprego (1,1%).

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