Por monica.lima
Publicado 06/11/2014 11:52 | Atualizado 06/11/2014 16:38

O Operador Nacional do Sistema (ONS) afirmou nesta quinta-feira que não há indício de risco de racionamento de energia no Brasil em 2015.

Segundo o diretor geral do órgão responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN), Hermes Chipp, a indicação é de chuva na média ou acima da média já a partir de novembro.

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, que assim como Chipp participa de evento em Brasília, reforçou que não há risco de déficit de energia no próximo ano.

De acordo com Zimmermann, o fato de o risco calculado pelo governo ter chegado a 5 %, limite máximo tolerável, não significa que o racionamento seja necessário.

"Essa tolerância é para o risco após a estação chuvosa. É preciso esperar o fim de abril para se calcular o risco real", afirmou.

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Ontem, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), elevou de 4,7 para 5 % o risco de déficit de energia em 2015 no Sudeste e no Centro-Oeste do país.

Segundo Chipp, não se decreta racionamento com base nesse risco e sim caso os recursos disponíveis sejam insuficientes para atender a demanda, o que não é o caso.

Ele afirmou que não somente as previsões dos institutos meteorológicos são de chuvas na média ou acima da média já em novembro, como também contemplam chuvas nas regiões dos maiores reservatórios.

"A indicação é de que não vai chover apenas na região Sul. Ela sobe para o Sudeste, para a região de fronteira entre São Paulo e Minas Gerais (onde estão grandes represas)", disse.

Se as chuvas ficarem na média na estação chuvosa deverá ser preciso continuar com as termelétricas ligadas, afirmou Chipp. Mas caso as chuvas fiquem acima da média, pode até ser possível desligar as térmicas mais caras mais para frente, completou.

Risco de déficit de energia em 2015 é 5% no Sudeste e Centro-Oeste, diz CMSE

O risco de déficit de energia este ano no Brasil é zero, informou nesta quinta-feira, por meio de nota, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Para 2015, o risco é 5% nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, e 0,7% na Região Nordeste. Em outubro, ele era 4,7% e 0,8%, respectivamente. Tendo por base esses números, o comitê avalia que as condições do Sistema Interligado Nacional (SIN) mantém-se estável e estruturalmente equilibrado, com sobra estrutural de cerca de 6.600 megawatt (MW) médios para atender a carga prevista.

A nota – a exemplo da divulgada em outubro – diz ainda que, apesar do equilíbrio estrutural do sistema, podem ser necessárias “ações conjunturais específicas”, devido a irregularidades apresentadas nos reservatórios. Assim sendo, acrescenta, há possibilidades de o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) adotar “medidas adicionais àquelas normalmente praticadas, como a estratégia que vem sendo adotada, em 2014, para preservação dos estoques nos principais reservatórios de cabeceira do SIN”, informou, sem detalhar quais seriam essas ações conjunturais ou quais foram as medidas adotadas em 2014.

Segundo o comitê, apesar de as principais bacias hidrográficas do país enfrentarem uma “situação climática desfavorável” – o que resulta em uma baixa nos reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste –, o SIN ainda dispõe de “condições para o abastecimento do país”. Por ser interligado, o sistema permite que o país se beneficie de sua diversidade hidrológica, aliviando o uso – ou, conforme diz a nota, promovendo uma “menor redução”– do nível de armazenamento das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Em outubro a chuva foi acima do normal na metade sul da Região Sul e abaixo do normal nas demais regiões. Com isso as afluências verificadas foram 64% nas regiões Sudeste e Centro-Oeste; 36% no Nordeste; 139% na Região Sul; e 76% na Região Norte.

Ainda segundo a nota, o fenômeno climático El Niño (fenômeno causado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico), que apresenta intensidade fraca a moderada, continuará nos próximos meses, tendo como consequência chuvas no Sul em valores normais ou superiores à média histórica.

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