Por bruno.dutra

Rio - Embora reafirme que o setor elétrico brasileiro se encontre em “equilíbrio estrutural”, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) ampliou ontem o risco de déficit de energia para 2015 nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste para 5%, valor considerado o limite aceitável pelas regras de operação do setor elétrico. Na última avaliação, em setembro, o valor estava em 4,8%. Para 2014, o risco em todas as regiões é considerado inexistente, mas as térmicas continuam sendo usadas a plena carga, para poupar água nos reservatórios das hidrelétricas. Para especialistas, projeções do governo são otimistas.

“Análises prospectivas de desempenho do sistema para o período 2015 a 2018 (...) apontam valores para o risco de qualquer déficit de energia em 2015, nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, da ordem de 5,0% e 0,7%, respectivamente, os quais atendem ao critério de planejamento estabelecido pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética)”, afirmou ontem o CMSE, que é composto por órgãos gestores do setor elétrico. O texto diz que “mesmo com equilíbrio estrutural”, podem ser necessárias medidas operativas para preservar os estoques de água, como as que vêm sendo adotadas durante 2014.

O diretor do instituto Ilumina, Roberto D’Araújo, contesta as projeções do CMSE. Segundo ele, o governo superestima as garantias físicas das usinas, que não teriam condições de gerar os volumes esperados pelos órgãos de planejamento. “Esses certificados já deveriam ter sido revistos há tempos. Portanto, é bom não esquecer que os MW médios citados somam essas garantias físicas exageradas. Enquanto as pessoas não se convencerem de que esses números são subjetivos e sujeitos a erro, não se sai da estaca zero”, comenta o especialista.

Segundo o relatório do CMSE, entraram em operação, em 2014, 6.087 megawatts (MW) em novas usinas, volume superior aos 6 mil MW previstos. Com isso, diz o comitê, há uma sobra estrutural de 6 mil MW no sistema atualmente. Pesquisador Associado do Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ, Renato Queiroz escreveu em artigo que as projeções de aumento no consumo de energia durante o verão são suficientes para estimular um programa de contenção de consumo, com a diminuição de perdas técnicas, troca de lâmpadas, implantação de painéis solares e conscientização da população.

“Há um consenso no setor que algumas ações para obtenção de resultados no curto e médio prazos já poderiam ter sido priorizadas pelos órgãos de decisão de política energética nacional. Há uma unanimidade entre esses especialistas que não dá para ficar rezando para chover sem ações preventivas de economia no consumo de energia elétrica”, diz.

Aneel define cotas de distribuidoras para 2015

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresentou ontem proposta de alocação às distribuidoras de cotas de energia de usinas cujas concessões vencem em 2015, destinando a maior cota à Eletropaulo. O critério adotado pela Aneel para dividir a energia dessas concessões, cerca de 4,5 mil MW médios, é, em primeiro lugar, a cobertura da exposição das distribuidoras ao mercado de curto prazo e, depois, a proporção do tamanho do mercado de cada companhia.

Segundo o diretor da Aneel Tiago Correia, relator do caso, a ideia é que, após a distribuição das cotas, a necessidade de contratação das distribuidoras no leilão A-1, marcado para 5 de dezembro, será de cerca de 629 MW médios. A cota destinada pela proposta à Eletropaulo é de 1.288 MW médios em 2015, ao todo, incluindo a energia de cotas já alocada à empresa. No caso da Light, as cotas somariam 1.060 MW médios em 2015. A terceira maior cota seria a da Cemig, pela proposta da Aneel, de 981,95 MW médios em 2015.

Com essa energia, o governo espera minimizar a tendência de alta nas tarifas de eletricidade provocada pela estiagem, já que as cotas serão vendidas às distribuidoras a um preço de cerca de R$ 30 por MWh.

Com Reuters

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