Ex-gerente da Petrobras afirma que alertou diretoria sobre desvios

Ex-executiva da estatal, Venina Velosa da Fonseca enviou e-mails à Graça Foster, diz reportagem do jornal 'Valor Econômico'

Por O Dia

Rio - Antes de a Polícia Federal deflagrar em março a Operação Lava Jato, a diretoria da Petrobras já havia sido alertada sobre a ocorrência de irregularidades em contratos da estatal, informou nesta sexta-feira em reportagem especial o jornal "Valor Econômico". De acordo com a publicação, os alertas à presidenta Graça Foster foram feitas pela ex-gerente executiva da Diretoria de Refino e Abastecimento da empresa Venina Velosa da Fonseca, antiga subordinada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Segundo a reportagem,  as suspeitas de Venina começaram em 2008, quando verificou que os contratos de pequenos serviços, chamados de ZPQES, atingiram R$ 133 milhões entre janeiro e 17 de novembro de 2008. O valor dos contratos ultrapassou os R$ 39 milhões previstos para aquele ano. A ex-funcionária procurou então Paulo Roberto Costa para relatar os problemas. Segundo ela, Costa apontou o dedo para o retrato do presidente Lula e perguntou se ela queria "derrubar todo mundo".

Segundo o jornal, os desvios envolvem o pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados na área de comunicação, em 2008, passam por uma alta de preços que elevou de US$ 4 bilhões para mais de US$ 18 bilhões os custos da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e atingem contratações atuais de fornecedores de óleo combustível das unidades da Petrobras em outros países.

Ainda de acordo com a publicação, Graça Foster recebeu e-mails de Venina antes de ela assumir a presidência da estatal, em 2012. Na íntegra do texto escrito pela ex-funiconária da Petrobras, publicado pelo 'Valor', ela diz que passou a sentir vergonha da empresa em que trabalhava. Segundo ela, "diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar as pessoas como animais. o que aconteceu dentro do ABAST na área de comunicação e obras foi um verdadeiro absurdo. Técnicos brigavam por formas novas de contratação, processos novos de monitoramento das obras, melhorias nos contratos e o que acontecia era o esquartejamento do projeto e licitações sem aparente eficiência.

Em outro e-mail enviado à Graça Foster, já durante as investigações da Lava Jato em novembro desse ano, Venina expõe seu medo em relação a retaliações. "Desde 2008, minha vida se tornou um inferno, me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçadaa assediada. Até arma na minha cabeça e ameças as minhas filhas eu tive. Tenho comigo toda a documentação do caso, que nunca ofereci à imprensa em respeito a Petrobras, apesar de todas as tentativas de contato de jornalistas. Levei o assunto as autoridades competentes da empresa, inclusive jurídico e Auditoria, o que foi em vão".

Em nota, a Petrobras afirmou que todas as informações passadas pela ex-funcionária foram apuradas em comissão interna entre 2008 e 2009. Ainda segundo a estatal, o processo resultou na demissão do ex-gerente da área, que acabou não sendo efetivado por causa de uma lincença médica.

Leia a íntegra da nota:

"A Petrobras esclarece que, em relação à matéria publicada no Valor Pro de 11/12/2014, sob o título " Diretoria da Petrobras foi informada de desvios de bilhões em contratos", instaurou comissões internas em 2008 e 2009 para averiguar indícios de irregularidades em contratos e pagamentos efetuados pela gerência de Comunicação do Abastecimento. O ex-gerente da área foi demitido por justa causa em 03 de abril de 2009, por desrespeito aos procedimentos de contratação da companhia. Porém, a demissão não foi efetivada naquela ocasião porque seu contrato de trabalho estava suspenso, em virtude de afastamento por licença médica, vindo a ocorrer em 2013. O resultado das análises foi encaminhado às autoridades competentes.

Em relação aos procedimentos na área de Bunker, após resultado do Grupo de Trabalho constituído em 2012, a Petrobras aprimorou os procedimentos de compra e venda com a implementação de controles e registros adicionais. Com base no relatório final, a Companhia adotou as providências administrativas e negociais cabíveis. A Petrobras possui uma área corporativa responsável pelo controle de movimentações e auditoria de perdas de óleo combustível, que não constatou nenhuma não conformidade no período de 2012 a 2014.

Como mencionado em comunicados anteriores, a Comissão Interna de Apuração constituída para avaliar os processos de contratações para as obras da RNEST concluiu as apurações e encaminhou o Relatório Final para os órgãos de controle e autoridades competentes.

Assim, fica demonstrado que a Companhia apurou todas as informações enviadas pela empregada citada na matéria."

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