Redução da emissão de CO2 no país passa por eficiência

Brasil tem projeto modelo, o Procel, mas mesmo assim utiliza menos de 30% de seu potencial de rendimento energético

Por O Dia

São Paulo - Embora o Brasil tenha um projeto modelo de eficiência energética, o Procel, o país apresenta baixos índices de eficiência quando comparado com as principais economias do mundo, de acordo com estudo realizado pela Sitawi Finanças do Bem para o Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Cebds). Em ranking de 16 países, o Brasil ocupa a 15ª posição, à frente apenas do México. Elaborado pela American Council for an Energy-Efficiency Economy, o ranking mostra que o país utiliza menos de 30% do seu potencial de eficiência energética. Pelos dados do Programa Nacional de conservação de Energia Elétrica (Procel), o potencial de redução de consumo chega a 46 mil GWh, representando R$ 20 bilhões por ano.

Os projetos de eficiência energética, como forma de ajudar na redução de emissões de gases de efeito estufa e do consumo de energia elétrica, foram tema de destaque na COP 20 — Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas terminou na sexta-feira, em Lima, no Peru, sem que os países alcançassem consenso sobre o rascunho inicial de um novo acordo global para conter as mudanças climáticas. Os projetos também são um caminho para que as empresas colaborem com as metas nacionais de redução de emissões e economia de recursos financeiros por parte das empresas.

No Brasil, o tema ganha mais relevância com a atual crise hídrica e os recentes desafios na expansão da capacidade de geração do setor elétrico. Embora a principal matriz energética seja a hidrelétrica, no primeiro semestre deste ano, houve um aumento da participação da geração térmica não renovável de 43,5% em relação a igual período de 2013. Ou seja, a matriz elétrica brasileira passou a emitir 58% mais de emissões de carbono, chegando a 0,1440 tonelada de CO2 MWh (megawatt/hora). Em termos de comparação, as hidrelétricas não emitem CO2na geração de energia, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Daí o salto no primeiro semestre do ano.

Segundo Gustavo Pimentel, diretor de pesquisa da Sitawi — ONG que apóia projetos de inovação socioambiental —, esse potencial é calculado pelo gasto de energia que os países têm somando o consumo nas indústrias, nas edificações e nos transportes, principalmente. “Com base na matriz energética do país, é possível fazer uma estimativa de quanto se conseguiria economizar adotando a eficiência energética”, diz.

Um caso simples de eficiência energética no Brasil, diz Pimental, seria a renovação de frota de caminhões, já que o principal modal de transporte é o rodoviário. “A troca da frota por motores mais eficientes economizaria no gasto de combustível, rodando o mesmo tanto de quilômetros e com emissão menor de CO2.”

Outra indicação é a troca de caldeiras nas fábricas, a maioria movida por térmicas, ou a substituição de equipamentos. “Mas o maior desafio é o acesso a investimentos para realizar esses projetos, embora existam linhas em bancos públicos e agências de fomento", afirma Pimentel.

Oexecutivo explica que, nos bancos, há uma alta percepção de risco nesses projetos por não terem como confiar no percentual de redução de energia que ocorreria com a adequação de um equipamento, por exemplo. “A falta de histórico deixa os bancos desconfortáveis em viabilizar esses projetos. Mas não é só, dentro das empresas também há resistência”, garante Pimentel.

Nesse caso, diz, o que dificulta é a concorrência com outros projetos, como expansão de negócios. “Os projetos de eficiência energética nunca são prioritários dentro da companhia, pois disputam o mesmo orçamento de investimentos que vai para a ampliação de uma fábrica ou a construção de uma nova, por exemplo.”

Contabilizar ganhos intangíveis com a eficiência

Segundo o estudo, um dos caminhos para os projetos de eficiência energética ganharem importância nas companhias e também mais facilidade na busca por financiamentos são as empresas aprenderem a contabilizar no projeto o que é intangível: além da economia de energia e custo de produção, a modernização pode acelerar a produção e reduzir custos de manutenção e de paradas programadas, por exemplo.

“Além de gerar economia, esses projetos ajudam a reduzir as emissões dos gases de efeito estufa, o que é uma ganho ambiental para o planeta. Assim, as empresas deveriam incluir o tema eficiência energética como diretriz estratégica. Dessa forma, passariam a ter prioridade na captação de recursos”, diz Pimentel.

O executivo lembra que também ajudariam políticas públicas que incentivem a busca por eficiência energética pensando além da eletricidade, já que 80% da energia utilizada nas indústrias têm a ver com a energia térmica das caldeiras, e não das elétricas.

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