Planalto entra na questão da falta d’água em São Paulo e Rio de janeiro

Obra de transposição é incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e governo fará campanha contra desperdício

Por O Dia

A falta de chuvas no Sudeste já atingiu o seu pior nível desde 1930, quando teve início a série histórica de monitoramento. O dado levou o governo a incluir no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) o projeto de transposição de água do Rio Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, para o sistema de abastecimento de Cantareira, em São Paulo. A obra faz parte do projeto de segurança hídrica apresentado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, à presidenta Dilma Rousseff em dezembro, no valor de R$ 830 milhões.

“Estamos vivendo uma situação absolutamente sensível do ponto de vista dos cenários de chuva e do que vem acontecendo em particular no Sudeste brasileiro”, avaliou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, na sexta-feira, após reunião envolvendo sete ministros diretamente ligados ao tema para analisar o cenário da seca no Sudeste.

Embora tenha reiterado que o governo não vislumbra ainda uma situação de racionamento, a ministra informou que já há em curso, na Secretaria de Comunicação Social da Presidência e no Ministério do Meio Ambiente, a elaboração de uma campanha publicitária pela economia de água.

“Este é um momento sensível e complexo. Temos que ter a colaboração de todos. Todos têm que ter um comportamento de saber poupar água e poupar energia”, salientou Izabella. “No ano passado, já estávamos trabalhando com a menor mínima histórica. Este ano estamos abaixo do ano passado. Nunca se viu no Sudeste uma situação tão sensível e tão preocupante”, reforçou.

Izabella informou que o governo federal tem atendido demandas dos governos estaduais, especialmente São Paulo e Minas Gerais, na tentativa de minimizar os efeitos da seca na região.

Para especialistas, a inclusão da obra do Paraíba do Sul no PAC é uma medida importante, mas só terá efeitos no longo prazo. Na opinião da professora da Escola de Administração Pública e de Empresas (Ebape) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marilene Ramos, a falta de chuvas tornou premente que o governo adote medidas emergenciais. “O cenário com o qual se trabalhava em 2014 era de que a situação melhoraria com as chuvas de verão. Mas o verão está mais seco do que o do ano anterior. Isso tornou o quadro muito mais grave”, afirmou Marilene.

Segundo a especialista, o governo não pode esperar para ver se choverá em fevereiro e março para tomar uma iniciativa mais drástica, especialmente, no Rio de Janeiro: “O estado precisa impor metas de redução do consumo para a população”.

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