Por bruno.dutra

Rio - Depois da renúncia coletiva da diretoria da Petrobras, foi a vez do presidente da Transpetro, Sergio Machado, anunciar sua saída da empresa. No cargo desde o primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Machado era o mais longevo presidente de estatal da gestão petista. Segundo fontes, ele entregou ontem sua carta de renúncia ao Conselho de Administração da Transpetro, presidido por Graça Foster, que anunciou sua saída no dia anterior. Hoje, o Conselho de Administração da Petrobras se reúne para indicar a nova diretoria da empresa.

Machado estava de licença não remunerada desde 3 de novembro do ano passado, sob o argumento que queria dar espaço para a apuração de denúncias com relação à companhia — em depoimento realizado à Polícia Federal em agosto, o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa afirmou que teria recebido R$ 500 mil do então presidente da Transpetro. Ontem, porém, após a renúncia coletiva na Petrobras, entendeu que era a hora certa para deixar também a companhia. Sua renúncia precisa ainda ser aprovada pelo conselho.

Indicado para a Transpetro em 2003, Machado tinha o apoio do senador Renan Calheiros (PMDB/AL), reeleito presidente do Senado no último domingo. Na carta em que anunciou a licença não remunerada, disse que a acusação era “leviana e irresponsável” e prometeu acionar Costa na Justiça. Procuradas pelo <CF203>Brasil Econômico</CF>, nem Transpetro nem Petrobras comentaram o assunto até o fechamento desta edição. A presidência da subsidiária da Petrobras responsável pelo transporte de petróleo e gás é hoje ocupada interinamente pelo diretor de Gás Natural, Cláudio Campos.

Ontem, novas especulações sobre o novo presidente da Petrobras incluíram o nome de Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O mercado, porém, tem feito apostas mais altas em Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, Antônio Maciel Neto, ex-Ford, e Murillo Ferreira, hoje na Vale. Rodolfo Landim, nome que contaria com a simpatia da presidenta Dilma Rousseff, enfrenta grande resistência entre os sindicatos de trabalhadores da companhia.

Graça e os cinco diretores comunicaram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que só ficam até esta sexta-feira, o que cria dificuldades para o governo na busca de um novo nome. Dilma esperava contar com os executivos até o fim do mês, ganhando tempo para negociar as indicações. Além da presidência da companhia, estão vagas as diretorias Financeira, de Exploração e Produção, de Abastecimento, de Gás e Energia e de Serviços.

Representantes da União no Conselho de Administração da Petrobras se reuniriam ontem na sede da empresa para analisar perfis para assumir as diretorias vagas, informou uma fonte. Nem todos os conselheiros foram convocados para o encontro informal. A ideia não era definir nomes, mas critérios e perfis de executivos para assumir os cargos. “A troca de ideias de hoje é exatamente para se definir critérios ou tipos de pessoas que vão assumir as funções dos diretores que saíram, mas ainda não há indicações de nomes”, afirmou a fonte.

“Hoje não é uma reunião de conselho, é um encontro dos conselheiros para trocar ideias sobre os procedimento para serem tomados na sexta-feira, que é quando o conselho está convocado.” Já a definição do novo presidente da Petrobras, segundo a fonte ressaltou, “é uma escolha do próprio presidente da República, isso o conselho simplesmente ratifica”.

Segundo informações extraoficiais, Dilma teria pedido ajuda a Joaquim Levy para identificar um executivo para assumir a Petrobras. A empresa precisa divulgar seu balanço com números revisados por auditoria independente até o final de abril, sob o risco de resgate antecipado de dívidas, que poderiam colocar em risco a solvência financeira da companhia. Na última semana, duas agências de classificação de risco, Moody’s e Fitch, rebaixaram notas do risco de crédito da empresa, diante das dificuldades em divulgar as demonstrações financeiras do terceiro trimestre com aval da auditoria PriceWaterhouse Coopers.

Com Reuters

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