Por bruno.dutra

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff deu posse ontem aos novos integrantes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), composto por representantes do empresariado e dos trabalhadores da indústria. A crise energética, o ajuste fiscal, que pôs fim aos subsídios ao setor por meio das desonerações, e o Plano Nacional de Exportações, foram alguns dos assuntos tratados na primeira reunião do conselho. Dilma recebeu o apoio dos conselheiros para as medidas que vem adotando para recuperar as contas públicas. Mas também ouviu queixas relacionadas à falta de políticas consistentes para a indústria e para as exportações. No entender de integrantes da reunião, a ausência dessas políticas foi a grande responsável pelo fraco desempenho da produção industrial em 2014, com queda de 3,2%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e neste início do ano.

De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, os integrantes do conselho foram unânimes em apoiar as medidas restritivas anunciadas neste início de governo. “Toda representação do conselho entende que as medidas de ajuste que estão sendo implementadas são necessárias para o reequilíbrio macroeconômico do país", disse Monteiro, ao informar que não houve pedido de redução de carga tributária.

Segundo o presidente da Anfavea, Luiz Moan, o retorno da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a partir de janeiro — política pontual que ajudou o setor em anos anteriores — contribui para a fraca performance do setor automotivo neste início de ano. “O ajuste fiscal é extremamente necessário. Anfavea apóia o ajuste”, disse Moan, ao deixar a reunião com Dilma, ao situar que somente o equilíbrio nas contas públicas será “o caminho” para que o setor retome o crescimento nas vendas no segundo semestre. “Mas o setor está sendo bastante prejudicado (pelo retorno do IPI)”, completou.

De acordo com o empresário, o segmento mais afetado, com queda nas vendas, é o de caminhões. “Já prevíamos a queda nas vendas, mas a queda na área de caminhões é pior ainda”, salientou, destacando a retração de 28% nas vendas de caminhões. Moan também se mostrou preocupado com a possibilidade de o governo reduzir a alíquota do Reintegra e por fim ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI), com subsídios do BNDES no meio do ano. “Eu não consigo ver sustentação da venda de caminhão sem o PSI”, comentou Moan, ao recordar que na semana passada, quando o BNDES criou novas taxas fixas de juros para o PSI, houve “um alento para o setor automotivo, considerando que o consumidor não vai comprar caminhão com taxa variável”.

O presidente da Anfavea defendeu a manutenção da taxa de 3% no Reintegra como parte da Política Nacional de Exportação, a ser lançada no próximo mês. “Defendemos não só que o Reintegra seja mantido em 3%, como seja dado em caráter permanente”, disse. Moan afirmou ser urgente a retomada das vendas ao exterior. “Estamos trabalhando fortemente junto ao governo pelo programa nacional de exportações. O país realmente precisa ter o mais rápido possível as medidas para incentivar as exportações”, completou.

Segundo o ministro Monteiro, o ambiente internacional favorece à implantação, no curto prazo, do Plano Nacional de Exportação porque “o câmbio está ajudando e, com uma política comercial mais ativa, o Brasil vai diversificar os seus mercados”. O ministro também defendeu o Reintegra como "imprescindível". Disse não se tratar de prêmio ou bônus para os empresários porque o imposto será pago em outro momento. "Na hora em que se planeja a política industrial não faz sentido retirar o Reintegra", declarou

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