Chuvas do Carnaval ajudam, mas não afastam possibilidade de racionamento

Nível de reservatórios se recuperou nos últimos dias, mas meteorologistas preveem mais estiagem pela frente

Por O Dia

São Paulo - A chuva de fevereiro, acima da média para o mês, trouxe certo alívio para a região Sudeste, favorecendo uma melhora modesta nos índices de reservatórios de São Paulo, Rio e Minas Gerais. Em São Paulo choveu 257 milímetros (mm) até o dia 17, superando a média climatológica do mês, de 199 mm, segundo a Somar Meteorologia. No Rio de Janeiro, as chuvas fortes durante todo o período de Carnaval também ajudaram na recuperação do Paraíba do Sul.

Com isso, o reservatório do Sistema Cantareira operava ontem com 8,9% da sua capacidade, já considerando a segunda reserva técnica, volume equivalente ao verificado no início de dezembro. Já o Paraíba do Sul, que saiu do volume morto desde o final de janeiro, alcançou ontem 5,51% de sua capacidade. Mas as boas notícias acabam por aí, já que a previsão é que o tempo volte a ficar seco nos próximos 15 dias.

Para o meteorologista da Somar Celso Oliveira, a situação dos reservatórios ainda é crítica e está distante do ideal, mesmo com a aparente melhora. Ele explica que o volume de chuva de fevereiro, apesar de acima da média mensal, não foi suficiente para recuperar o que se perdeu do período úmido anterior — que vai de outubro a março. “O volume de chuva de outubro de 2014 até hoje (ontem) não foi suficiente para repor o que foi perdido no período anterior.

Seria necessário chover pelo menos três vezes mais o que choveu até agora para iniciarmos o período de seca, a partir de abril, nos mesmos níveis do verificado ano passado”, diz Oliveira.

Em 31 de março do ano passado, quando acabou o período úmido, o sistema Cantareira estava com 13% de sua capacidade — sem considerar o volume morto. “Agora, não foi possível sequer recuperar o volume morto. Já vamos iniciar o período seco com déficit hídrico. Se a Sabesp tivesse ao menos iniciado um rodízio suave — de um ou dois dias — conseguiria poupar um pouco o sistema e iniciar o período sem chuva em uma situação um pouco mais confortável”, afirma o meteorologista.

No Rio de Janeiro, a situação não é muito diferente, assim como em Minas.
Apesar da chuva que caiu quase todos os dias de folia na capital carioca, ela tem prazo para terminar: o próximo fim de semana. E, só deve voltar no dia 27. Ainda assim, segundo Oliveira, dificilmente terá a mesma quantidade de água que teve em fevereiro. “O grande problema é que as chuvas não têm sido regulares: num mês o volume é bom, no outro é ruim. E isso tem sido recorrente para todos os subsistemas das regiões Sudeste e Centro-Oeste”.

Oliveira explica que o último período com chuvas acima da média foi entre outubro de 2010 e fevereiro de 2011, quando choveu 1140 mm e o Cantareira, por exemplo, encerrou o período úmido com 87% de sua capacidade. “O volume só não foi maior porque parte dessa água se perdeu através de abertura de vertedouro. Ou seja, um volume grande de água que poderia ser para consumo foi desperdiçado por falta de espaço no reservatório”, explica.

Agora, já considerando as chuvas acima da média neste mês, o volume acumulado está em apenas 55% daquele período, com 745 mm de chuva. Com isso, afirma o meteorologista, passa a ser inevitável um rodízio de água e de energia ainda em 2015.

A região Sudeste já está puxando energia do Sul e Norte — onde as chuvas também não têm sido frequentes. “Os reservatórios estão abaixo do volume de 2001, na época do apagão de energia. É verdade que agora há outras fontes de geração que minimizam o impacto, mas a um custo bastante alto. Ainda assim, a margem de manobra tem ficado cada vez menor e a chance de termos racionamento é inevitável em 2015”.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou a liberação de R$ 360 milhões — de um total de R$ 930 milhões previstos para um plano de segurança hídrica até 2050, ainda em elaboração.

O governo fluminense planeja obras de saneamento básico da Região Metropolitana, incluindo a Baixada Fluminense — região que sofre ora com torneiras secas, ora com enchentes — além do reflorestamento das margens dos rios Paraíba do Sul e Guandu.

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