Nordeste luta contra corte de recursos da união para combate à seca

Ajustes no Orçamento da União levam gestores estaduais à peregrinação por ministérios para evitar perda de verbas

Por O Dia

São Paulo - Diante do quarto ano de seca, agora sob o anúncio de corte do Orçamento da União, governadores nordestinos têm realizado viagens constantes à Brasília para garantir recursos para obras hídricas e ações emergenciais como distribuição de água por carro-pipa, construção de cisternas e perfuração de poços. De acordo com dados da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, 15,8 milhões de nordestinos são afetados pela pior seca dos últimos 50 anos na região, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Um dos estados mais prejudicados pela estiagem prolongada é o Ceará, cujo território é quase totalmente inserido no semiárido e onde apenas oito municípios, de um total de 184, não estão em situação de emergência. “Tenho me dedicado à questão da seca nestes primeiros 40 dias de governo. Estamos entrando no quarto ano de chuvas abaixo da média e os mananciais que abastecem nossas cidades não estão sendo recarregados. Isto requer mais do que uma atenção especial, requer uma ação efetiva, baseada em planejamento”, afirma Camilo Santana (PT), governador do Ceará.

Recentemente o petista anunciou o enxugamento da máquina para assegurar recursos para a seca, como o corte de mão de obra terceirizada. Camilo Santana esteve em Brasília no início de fevereiro para apresentara seu plano de ação aos ministros Aloísio Mercadante (Casa Civil) e Gilberto Occhi (Integração Nacional). “Mas é importante que se diga que o Ceará tem infraestrutura hídrica e planejamento. Tanto que Fortaleza e a região metropolitana só não enfrentam a situação que São Paulo vive por causa disso. Realizamos obras como o Eixão das Águas, a construção de mais de 250 km de canal que hoje trazem água do Castanhão, somado com água que vem do Canal do Trabalhador. Mesmo assim, nós precisamos fazer um trabalho de conscientização, uso responsável da água”, diz, alfinetando Alckmin.

Deixando de lado as arestas eleitorais, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), também fez sua peregrinação pelos ministérios. Dois terços dos 184 municípios pernambucano enfrentam problemas de abastecimento de água e, considerando o corte orçamentário do governo Dilma, Câmara propôs uma troca nos investimentos em obras hídricas que beneficiam seu estado.

“Pedimos para adiar um pouco a grande obra do canal que trará água para Pernambuco pela transposição do rio São Francisco por obras de construção de barragens e integração de bacias localizadas na região da Mata Sul de Pernambuco que vão transferir água para a região Agreste do estado”, afirma José Almir Cirilo, secretário de Recursos Hídricos e Energéticos. Segundo ele, a proposta teve boa acolhida por parte do ministro Gilberto Occhi. “Esse conjunto de obras que estamos propondo está orçada em R$ 1,5 bilhão, mas sabemos que o dinheiro federal não está fácil, por isso já chegamos com uma solução mais prática para equacionar rapidamente a demanda do estado”, argumenta.

Com 145 cidades em estado de emergência, de um total de 167, no Rio Grande do Norte, o novo governador, Robinson Faria (PSD), se reuniu em janeiro com membros do segundo escalão para traçar um plano emergencial visando a seca. Este ano, o estado não destinou recursos oficiais para a comemoração do carnaval para priorizar o atendimento aos municípios que enfrentam problema de abastecimento de água.

“Temos oito cidades em colapso e quatro com rodízio de água. A Adutora Alto Oeste (obra realizada com recursos do Ministério da Integração que leva água para 26 municípios do estado) poderá entrar em funcionamento parcial, desde que sejam concluídos seus 7% restantes da obra”, descreve.

O governador reeleito de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), também esteve com o ministro Gilberto Occhi no último dia 10 para tratar da liberação de recursos para a conclusão dos serviços de duplicação das três adutoras de Sergipe. As obras integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Seca. Na ocasião, Occhi garantiu a liberação de R$ 10,2 milhões para aplicar em ações de combate aos efeitos da seca. “Temos que aprender a conviver com a seca. Investimos na segurança hídrica do nosso estado. Concluímos uma grande obra para armazenar águas das chuvas e neste momento o reservatório está cheio. Um investimento de R$ 85 milhões. Estamos com três adutoras em andamento. São R$ 156,6 milhões em obras que ampliarão o fornecimento de água no sertão, alto sertão e sul do estado”, enumera.

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