Preço médio de imóveis no Brasil sobe abaixo da inflação pelo 2º mês

Valores de unidades à venda em 20 cidades do país cresceram abaixo do IPCA. No ano, só cinco cidades tiveram recuo nominal

Por O Dia

Rio - O mercado imobiliário brasileiro dá sinais de acomodação nos preços nesse início de ano. Pelo segundo mês consecutivo, o Índice FipeZap Ampliado, que acompanha o valor de venda dos imóveis em 20 cidades brasileiras, registrou queda real nos preços dos imóveis. As unidades comercializadas também tiveram os valores ajustados abaixo da inflação, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Em fevereiro, o Índice Fipe/Zap Ampliado teve aumento de 0,17%, na comparação com janeiro, quando havia registrado alta de 0,39% — a menor variação desde 2008, quando a pesquisa começou, tendo apenas Rio de Janeiro e São Paulo como cidades de análise. Já nos últimos 12 meses, o preço dos imóveis avançou 5,87%.
Nas duas análises, os valores são inferiores ao IPCA. Em janeiro, a inflação mensal ficou em 1,24% e, em fevereiro, o IPCA-15, prévia da inflação oficial, ficou em 1,33%. Nos últimos 12 meses o IPCA-15 registra variação de 7,36%.

Todas as 20 cidades que compõem o Índice FipeZap Ampliado tiveram variações menores do que a inflação. No topo da lista aparece Vila Velha, no Espírito Santo, com uma valorização de 1,12% no mês. Logo em seguida vem São Paulo e Campinas (SP), ambas com alta de 0,55%. Florianópolis está no final do ranking, com retração nos preços das unidades comercializadas de 1,27%. A cidade também conta com quedas nominais nos valores dos imóveis no acumulado do ano. Assim como Brasília, Curitiba, Niterói e Porto Alegre.

Para o economista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP), Raone Costa, a retração nominal dos preços dos imóveis é ainda um fenômeno pontual e não aponta para uma tendência generalizada. Segundo ele, há ainda muita resistência no mercado imobiliário. “A desaceleração da alta dos preços é um efeito recente. Esperamos que haja uma variação mais forte nos próximos meses, mas ainda é cedo para apontarmos para uma tendência de retração nominal em todo o país”, avalia Costa.

“O mercado é muito reticente a quedas. O que temos observado é uma retração mais pronunciada no volume de negociações. A exceção é Brasília, que teve uma supervalorização dos preços, que agora vêm caindo. Mas no restante do país, a tendência é que haja uma desaceleração dos preços ou a manutenção deles em patamares altos, acompanhados de oscilações”, acrescenta.

O valor anunciado do metro quadrado médio em fevereiro das 20 cidades do país analisadas pela Fipe foi de R$ 7.482. A cidade com o metro quadrado mais caro continua sendo o Rio de Janeiro, com média R$ 10.650. O Leblon, bairro da Zona Sul, conta com o maior preço, em R$ 23.570. Na outra ponta aparece Cosmos, Zona Norte, com R$ 2.282.

São Paulo é a segunda cidade do país com o maior preço médio do metro quadrado, em R$ 8.493. Vila Nova Conceição é o bairro com o metro quadrado mais caro, em R$ 14.797. No país, os dois municípios que apresentam os menores preços foram Contagem, em Minas Gerais, com o metro quadrado custando R$ 3.394 e Goiânia, em R$ 4.020.

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