Governo adia mudança no ministério

Planalto quer o PMDB se entenda: Cunha deseja Henrique Eduardo Alves no Turismo, que é ocupado por Lages, indicado por Renan

Por O Dia

A presidenta Dilma Rousseff não pretende fazer, por ora, alterações em seu ministério. Por isso, a nomeação do ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves para o Turismo, em substituição a Vinicius Lages, que na última sexta-feira era dada como certa, está cada vez mais distante.

Segundo fonte do Palácio do Planalto, Dilma aguarda que os presidentes da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que havia indicado Alves ainda na montagem do atual ministério, e Renan Calheiros (PMDB-AL), que indicou Lages, se entendam. De acordo com a fonte, a presidenta também espera que o partido, maior aliado, afine o discurso e a prática: embora defenda corte de ministérios e cargos, exige mais postos do que já ocupa.

Há o entendimento de que o PMDB na Câmara e no Senado, fazem o revezamento, a cada semana, para demonstrar força, cada um em sua Casa, na tentativa de pressionar Dilma a ceder mais. Na semana passada, por exemplo, após a Câmara aprovar o projeto que estabelece o prazo de 30 dias para o governo rever o indexador que calcula a dívida dos estados e municípios, Renan declarou que “o Parlamento dá a última palavra”, entendido pelo Planalto como ameaça. No fim de semana, em entrevista ao jornal O Globo, Cunha afirmou que o governo finge que o PMDB está no governo e que o PMDB também finge que é governo. “A presidenta aguarda que o PMDB defina se é aliado ou não. Sem esta definição, não tem como fazer exigências”, declarou a fonte palaciana.

Ontem, o vice-presidente Michel Temer, presidente do partido, que negocia novos cargos com a presidenta, veio a público para reafirmar o apoio do partido à presidenta Dilma. “Estamos tomando deliberações em conjunto, então nesse sentido o PMDB está no governo”, disse Temer após evento sobre reforma política, em Porto Alegre.

Outro interlocutor, parlamentar do PMDB, que também prefere não se identificar, afirma que Cunha e Renan não querem apenas mais espaço, mas exigem quais seriam estes espaços. Diz, por exemplo, que Renan reagiu em tom de fúria quando lhe foi oferecida a presidência da Conab. Renan que, por pouco não perdeu o Turismo, quer, além do ministério a presidência da Transpetro. “Entre agradar a um e desagradar a outro, o governo preferiu esperar para ver por onde perde menos”, disse este parlamentar.

Além disso, conta essa fonte, não é mais do interesse Cunha indicar Alves a cargo algum e, ainda que fosse, o ministério não seria o do Turismo. “Henrique Alves não é mais um ativo para Cunha. Para ele, seria mais interessante contar, no ministério, com alguém que voltando para a Câmara pudesse interferir na votação de matérias importantes para o governo”, pondera. “O ministério do Turismo também não dá mais a visibilidade de antes. Até para trocar pedra de asfalto só pode ser em lugar turístico”, ironiza.

Enquanto isto, o governo acompanha os sinais enviados pelo Parlamento, num momento considerado crucial para aprovar o ajuste fiscal. Ontem, na Câmara, o governo conseguiu uma vitória ao conseguir tirar da pauta o pedido de regime de urgência para votação da proposta que poria fim ao decreto que possibilita à Petrobras fazer licitações em condições especiais. Apresentada pela oposição, a matéria tinha simpatia do presidente da Casa.

No senado, por sua vez, após receber em seu gabinete o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, Renan Calheiros disse que pretende recolocar, na Casa, a discussão sobre a independência do Banco Central, um dos temas mais sensíveis ao governo.

Por outro lado, Romero Jucá (PMDB-RR), espécie de porta-voz de Renan, que esteve na reunião, disse que o Senado poderá voltar atrás na decisão de aprovar ainda hoje o projeto que muda o indexador da dívida. Segundo o senador, Levy está formulando uma nova proposta que apresentará hoje na audiência pública que fará na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). “Se o colégio de líderes entender que vale a pena estudar a proposta do governo, será retirado de pauta”, disse Jucá

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