‘Perder o rating seria desastroso para o país’, diz Levy

Segundo o ministro, grau de investimento da Standard & Poor’s foi nota de confiança à capacidade do governo e do Congresso de aprovar as medidas para o superávit primário

Por O Dia

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que a manutenção do grau de investimento é que vai permitir que o Brasil atraia investimentos e volte a crescer. Por isso, destacou a importância da aprovação, pelo Congresso Nacional, das medidas de ajuste fiscal para que o país alcance, já neste ano, um superávit de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e, assim, não perca o investment grade.

“A manutenção do rating (nota BBB-, com perspectiva estável, pela agência Standard & Poor’s) foi um voto de confiança não a mim, mas à capacidade do governo e do Congresso de aprovar as medidas necessárias para que o Brasil volte a ter superávit primário. Perder o rating seria desastroso para o país. Mas mantê-lo depende da capacidade de aprovar as medidas em debate”, afirmou ontem o ministro, durante almoço-debate com empresários promovido pela Lide em São Paulo.

Com uma série de medidas impopulares — com o as mudanças no seguro desemprego, na Previdência e o fim de estímulos para a indústria, como a desoneração da folha de pagamento — o ministro não quis arriscar qual ponto será mais difícil de negociar. “A negociação envolve várias frentes e não seria adequado fazer suposições sobre os pontos em discussão. Mas há muitos pontos em comum (com o Congresso). E o Congresso tem consciência da necessidade do que nós estamos nos propondo a fazer”, disse o ministro.

Depois de expor aos empresários a necessidade do ajuste, Levy disse que é preciso retomar a produtividade e a competitividade da economia brasileira. “Queremos aumentar a inserção no comércio global, garantindo condições para que pequenas e médias empresas também possam exportar. Na opinião do ministro, as condições para isso já começam a se formar, até mesmo em função da recente alta do dólar em relação ao real.

Para Levy, poucas vezes houve um ambiente tão bom para a indústria, que deve começar a se recuperar em breve. “Não estamos nos concentrando em grupos, mas fazendo um movimento que tem que ter apoio de toda a sociedade brasileira. Queremos acertar as coisas para voltar a crescer. Acredito que, em alguns poucos meses, pelas mudanças inclusive do câmbio, haverá uma retomada da produção industrial e mais indústrias atendendo à demanda interna, o que não se via há muito tempo”, afirmou.

Apesar do otimismo do ministro, uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) durante o evento, com os 526 empresários presentes, apontou que 57% deles esperam que os negócios piorem este ano em relação a 2014. Dos presentes, 25% disseram que vão demitir e apenas 11% pretendem contratar.

Saia justa faz Levy interromper mediador

Após a apresentação de Levy, o presidente do Lide, João Dória Jr, que mediava o debate, passou por um pequeno constrangimento. Ao afirmar que “é duro ser ministro de um governo como o da dona Dilma”, foi prontamente interrompido por Levy, que soltou um sonoro “discordo”.

“Não é verdade. Discordo. A presidente tem genuíno interesse em endireitar as coisas no Brasil”, afirmou, tentando, assim, desfazer o mal-estar criado por uma declaração sua na sexta-feira. Falando a ex-alunos da Universidade de Chicago (EUA), onde estudou, Levy disse, de acordo com o jornal “Folha de S. Paulo”, que a presidenta Dilma Rousseff nem sempre faz as coisas da maneira mais fácil e efetiva, embora tenha um desejo genuíno de acertar. De acordo com o jornal, a fala foi uma crítica à “pessoa” da presidenta.

Segundo o ministro, ele foi mal interpretado: quis dizer que, mesmo com a vontade da presidenta, às vezes é difícil colocar em prática algumas medidas. Ressaltou manter “enorme afinidade” com a presidenta. “Não há nenhuma desafinação. A confiança mútua acho que é muito sólida”, completou.

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