Por douglas.nunes

Em reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, garantiu que não opina sobre questões de financiamento quando o assunto depende de uma decisão do Conselho de Administração da Petrobras. Desde 2008, Coutinho integra o colegiado e, desde a saída do ministro da Fazenda, Guido Mantega do governo, no ano passado, ele assumiu a presidência do grupo até que ocorra a nova eleição prevista para o final deste mês.

“Creio que a grande maioria das decisões [no conselho] foi consensual, mas há algumas com abstenção ou por maioria mas são menos frequentes. Para evitar qualquer tipo de conflito de interesse me abstenho, principalmente quando há matéria de financiamento”, disse.

Coutinho explicou que o BNDES, como acionista e credor, tem grande interesse no sucesso da estatal, no melhor desempenho, na valorização dos resultados e na boa governança. “De forma que se existir matéria específica, devo declarar impedimento relativo àquele ponto. Tenho total consciência de que na qualidade de conselheiro, transitoriamente e presidente do conselho, devo seguir rigorosamente os conceitos de sociedade anônima de sempre zelar pelo interesse da empresa. A lealdade é sempre zelar pelo melhor interesse da empresa e sigo religiosamente”, garantiu.

Luciano Coutinho foi convocado pela CPI para falar sobre o financiamento, pelo BNDES, da criação da empresa Sete Brasil, formada para construir sondas de perfuração do pré-sal. A empresa subcontratou estaleiros que teriam efetuado o pagamento de propinas a diretores da Petrobras e ao ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Na sessão do colegiado, o presidente da CPI da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-PB), anunciou que a Câmara autorizou a ida de integrantes da CPI a Londres para colher o depoimento do ex-diretor da empresa holandesa SBM Offshore Jonathan David Taylor. A CPI aguardava a aprovação da Mesa da Casa para organizar a missão e ouvir Taylor.

No próximo dia 23, a comissão vai ouvir o presidente da Setal Engenharia e executivo da Toyo Setal Empreendimentos Ltda, Augusto Mendonça Neto depoiria esta semana à comissão, mas sua advogada, Beatriz Catta Preta pediu o adiamento da data para que possa acompanhar o executivo na audiência.

Um dos delatores do esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato, Mendonça Neto confirmou que pagou propina aos ex-diretores da estatal Paulo Roberto Costa e Renato Duque, e afirmou que a propina estava "institucionalizada" durante a gestão dos acusados. Mendonça Neto confirmou que pagou R$ 12 milhões ao ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras Renato Duque.

Motta também anunciou que no dia 24 uma comissão formada por integrantes da CPI vai à Curitiba se reunir com o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, e com o secretário de Segurança do Paraná, Fernando Franceschini. O grupo que inclui o relator da CPI, Luiz Sérgio (PT-RJ), Onyx Lorezoni (DEM-PR), Júlio Delgado (PSB-MG) e Antonio Imbassahy (PSDB-BA) vai negociar o envio de documentos.

“São documentos essenciais para nossa investigação e começarão as tratativas para a ida da comissão em Curitiba. A comissão vai deixar todos os detalhes alinhavados para que no início de maio a gente possa fazer a diligência externa para ouvir todos os presos em Curitiba”, explicou Motta que não soube informar se essas audiências serão públicas ou fechadas.

Os parlamentares vão à sede da Petrobras no Rio de Janeiro, no dia 27 deste mês, e visitarão o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), no dia 8 de maio e à refinaria Abreu e Lima no dia 18 do mesmo mês. No dia 5 de maio, a comissão ouvirá o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

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