Lava Jato paralisa programa de apoio a fornecedores da Petrobras

Por meio do Progredir, empresas da cadeia de suprimentos da estatal podiam obter empréstimos junto aos bancos, tendo como garantia contratos de fornecimento de bens e serviços

Por O Dia

Rio de Janeiro - A crise desencadeada pela Operação Lava Jato praticamente paralisou o Progredir, um programa da Petrobras para agilizar e ampliar a oferta de serviços e reduzir o custo de financiamentos de capital para fornecedores, de acordo com dados obtidos pela Reuters com uma fonte da empresa e avaliações de especialistas.

Por meio do programa, empresas da cadeia de suprimentos da Petrobras podem obter empréstimos junto a bancos parceiros, tendo como garantia os contratos de fornecimento de bens e serviços assinados com a companhia.

Neste ano até abril, o programa realizou apenas 33 operações de financiamento, somando R$ 150 milhões, montante ínfimo quando comparado com anos anteriores, segundo a fonte da empresa.

Criado em junho de 2011, o Progredir havia possibilitado até dezembro do ano passado quase 2 mil operações, com um total de R$ 9,39 bilhões em financiamentos, segundo a fonte, que forneceu as informações na condição de anonimato.

"Hoje, enquanto a Petrobras não se ajustar, não é uma boa garantia, porque muitos contratos com a Petrobras foram cancelados, quem entrou lá atrás com o contrato como garantia, perdeu", comentou o ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e diretor da consultoria DZ Negócios com Energia, David Zylbersztajn, ao ser consultado pela Reuters.

"Enquanto não houver segurança de performance dos contratos, dificilmente um contrato com a Petrobras vai servir como garantia", completou.

O Progredir era motivo de orgulho para a Petrobras, que periodicamente divulgava resultados alcançados. Atualmente, a empresa tem evitado falar sobre o tema com a imprensa.

Em um comunicado de junho de 2013, antes da eclosão do escândalo de corrupção de desvio de dinheiro em contratos de fornecedores com a Petrobras, a empresa anunciou que por meio do Progredir a redução do custo dos empréstimos para os fornecedores da Petrobras variava de 20% a 50%.

Naquela época, a cada cem empresas que solicitavam recursos, 85 conseguiam fechar a operação, de acordo com a empresa.

Procurada pela Reuters, a assessoria de imprensa da Petrobras informou que não forneceria informações atualizadas.

Ao todo, 11 bancos, dentre eles os maiores do país, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú-Unibanco, Bradesco, Santander e HSBC, são financiadores de fornecedores da Petrobras por meio do Progredir.

PERSPECTIVAS DE RECUPERAÇÃO

Entretanto, a expectativa na empresa é que o Progredir volte a crescer num ritmo mais acelerado, devido à perspectiva de retomada da economia a partir do segundo semestre e de contratações para fazer frente ao novo Plano de Negócios da estatal 2015-2019, cuja publicação está prevista para acontecer em junho, segundo a fonte.

"Nossa perspectiva é ascendente", disse a fonte.

Para o ano, a meta da Petrobras é superar R$ 10 bilhões em operações acumuladas desde 2011. Ou seja, a expectativa é de que se realizem mais cerca de R$ 500 milhões em transações este ano, além dos R$ 150 milhões já fechados até abril.

"O ano para nós começou agora, com três ou quatro meses de atraso. Conseguimos divulgar nosso balanço, vem aí o Planejamento Estratégico e esperamos melhorar o programa", declarou a fonte.

O consultor e ex-integrante da diretoria da ANP John Forman concorda que o programa e o cenário para novos financiamentos para o setor de petróleo deverá ter uma melhora.

Para ele, a paralisia do Progredir aconteceu devido a ausência de novos contratos com a Petrobras e não porque a empresa deixou de ser uma boa garantia para os bancos.

"Os contratos com a Petrobras nunca foram questionados", afirmou Forman. "A contratação de novos projetos foi reprimida. Na medida em que você tiver o programa estratégico aprovado e divulgado, aí você retoma sua fase de contratos."

Em uma outra modalidade de apoio a fornecedores, o Progredir Antecipação de Faturas, o montante de empréstimos concedidos também avançou lentamente.

Nessa modalidade, equivalente ao adiantamento de recebíveis de contratos de empresas com a estatal, foram 1.902 operações neste ano até agora, somando um total de R$ 550 milhões, ante 17.498 transações, ou R$ 4,78 bilhões, de 2013, quando começou a operar, até o fim do mês passado.

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