Por bruno.dutra

Rio - Duas composições de VLT (veículo leve sobre trilhos), avaliadas em R$ 15 milhões, se tornaram um problema no Estado do Rio. Compradas inicialmente pela Prefeitura de Macaé, os quatro vagões (cada composição tem dois módulos) estão desde outubro de 2012 estacionados em uma estação ferroviária desativada na cidade do Norte Fluminense.

Os veículos, comprados pelo prefeito anterior, Riverton Mussi, em 2010, nunca operaram porque não havia projeto para instalação do transporte no município. O atual prefeito, Aluízio dos Santos Júnior, conta que, quando assumiu, em 2013, foram feitos estudos que mostraram a inviabilidade econômica do projeto. Com esses elefantes brancos na mão, ele conseguiu um acordo com o governo estadual para repassar as composições ao Estado, mediante o recebimento do valor integral.

Na ocasião, o governo anunciou que os VLTs começariam a circular até o fim de 2014 na linha de Magé, na Região Metropolitana do Rio, onde a concessionária SuperVia opera trens antigos, a diesel. No acordo, no entanto, o Estado deve pagar os R$ 15 milhões como parte da construção de uma rodovia em Macaé, a Estrada Santa Tereza, cujas obras atrasaram. Diante disso, criou-se um impasse: o Estado só pode pagar o valor quando a primeira parte da obra for concluída (ainda não há previsão), e a Prefeitura alega que só pode entregar os trens quando receber o pagamento.

“Estamos prontos para operar os VLTs se Macaé entender que pode repassar os veículos antes de receber o dinheiro por reconhecer que a obra atrasou”, afirma o secretário estadual de Transportes, Carlos Osorio. Já o prefeito alega que a lei que permitiu o convênio só permite o repasse dos trens após o pagamento. “Até o valor ser pago, a gente não pode sumir com dois trens. Eles não são meus”, diz Aluízio.

Consórcio BRT Rio promete mais ônibus até o fim do ano

Com 320 ônibus atualmente, o consórcio que opera o BRT do Rio deve receber, até o fim do ano, mais 25 veículos, para operar nos corredores Transcarioca e Transoeste. A nova aquisição, junto com a instalação de um sistema eletrônico de otimização da frota, visa aliviar a situação de superlotação nos horários de pico, que tem sido alvo de reclamações constantes de usuários.

O anúncio foi feito pela diretora de Relações Institucionais do BRT, Suzy Balloussier, em debate online sobre os Desafios do BRT, promovido na última sexta-feira, pelo Observatório da Mobilidade. Suzy e o engenheiro de transportes Luis Antonio Lindau, da ONG Embarq Brasil, responderam a questionamentos enviados, por email, por leitores. A maioria deles foi sobre a superlotação dos veículos. Participou também do debate Olavo Junior, representando o Programa Diálogo Jovem, projeto da Federação das Empresas de Transporte do Rio de Janeiro (Fetranspor) de relacionamento com o público jovem.

A diretora do Consórcio BRT contou que a empresa comprou um software da Goal Systems para auxiliar na otimização da frota. “Estamos apostando muito nisso. Esse software vai ajudar a gente na gestão da demanda. Acreditamos que, junto com o reforço na frota, isso vai dar um grande salto de qualidade e desafogar o sistema", afirmou Suzy. O início de operação dos outros dois corredores BRT em construção no Rio (previsão para 2016 e 2017) foi apontado por Suzy e Lindau como mais um fator que vai reduzir o aperto nos ônibus.

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