Incertezas sobre situação econômica congelam plano de investimentos

Formação Bruta de Capital Fixo cai 7%, diz FGV. Na média, 30% dos empresários não têm projetos para os próximos 12 meses

Por O Dia

Rio - Após o primeiro colapso nas expectativas do empresariado no primeiro trimestre do ano, o humor sobre o futuro dos negócios só piorou. Na média, 30% das companhias dos ramos de indústria, comércio, serviços e construção civil não têm programa de investimentos para os próximos 12 meses. O cenário de incertezas apresentado pela Sondagem de Investimentos da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre) reforça as projeções de que o país fechará o ano com uma retração em torno de 7% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF).

No primeiro trimestre do ano, a taxa de investimentos ficou em 7,8%, sobre o mesmo trimestre do ano anterior, de acordo com dados das Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o consolidado do ano, a equipe econômica do Bradesco projeta queda de 7%. Em linha com a projeção da FGV/Ibre, que aposta em redução de 7,1%.

Para o economista Claudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, “não há motor claro de crescimento para este ano” e a projeção é a de que o PIB (Produto Interno Bruto) feche 2015 com uma queda de 2%.

“A despeito do ajuste fiscal e dos esforços do governo, avalio que as expectativas e a vontade de investir não estão reagindo por causa da forte dúvida sobre quando a economia vai retomar o crescimento”, diz Frischtak.

“O ministro diz que a retomada da economia pode vir no segundo semestre, mas ainda há incertezas se ela virá neste ano ou só em 2016. Há muitos freios que impedem o crescimento, como o freio fiscal, monetário, creditício, do consumo das famílias, do desemprego”, acrescenta.

O cenário de incertezas fez 30% dos empresários da indústria congelarem seus programas de investimentos para os próximos 12 meses, o maior percentual da série histórica da FGV, iniciada para esta sondagem, em 1998. No setor de comércio e serviços, o percentual também é alto, 29% e 32% respectivamente. Mas é na construção civil que o desalento é maior: 38% das empresas não têm planos de expansão, substituição de maquinário ou aumento da capacidade produtiva.

Até entre os empresários do setor que contam com plano de investimentos para este ano, 49% não garantem se cumprirão com o planejamento inicial. Nos serviços, o percentual é de 37% e no comércio e indústria, de 36%.

“Percebemos um acúmulo de fatores econômicos e políticos que geram incertezas e, por isso, postergam investimentos. Além disso, a limitação de crédito e o custo de financiamento é sentido por todos os setores”, diz Aloisio Campelo, superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV.

As dúvidas acerca da demanda também estão entre os maiores obstáculos para a ampliação de investimentos. Na indústria e na construção, a limitação de recursos das empresas aparece como segundo maior freio ao direcionamento de novos aportes nos negócios. Entre o empresariado do comércio e o de serviços, o desafio está na carga tributária.

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