BRT aumenta integração dos transportes no Rio de Janeiro

Passageiros dizem ter economizado tempo nos deslocamentos, mas reclamam que conduções estão mais cheias

Por O Dia

Um dos pontos centrais dos planos para transformar a mobilidade no Rio de Janeiro, a integração de diferentes meios de transportes registrou um salto significativo no último ano. Inaugurado há 12 meses, o BRT Transcarioca, que liga as zonas Norte e Oeste da cidade, quase dobrou a quantidade de passageiros que embarcam diariamente na estação de trem de Madureira conectada ao corredor exclusivo para ônibus. Uma estação da Linha 2 do metrô próxima dali, em Vicente de Carvalho, também localizada ao lado do BRT, sentiu o impacto de 8% na demanda.

Os passageiros reconhecem que a integração dos transportes gera economia de tempo nas viagens, mas reclamam do maior desconforto para entrar no trem e no metrô com a implantação do BRT, já que as estações ficaram mais cheias.

O balanço da SuperVia, concessionária responsável pelo serviço de trens no Estado do Rio, aponta que os embarques na Estação Madureira pularam de 23 mil por dia em maio de 2014, para 42 mil atualmente. A concessionária MetrôRio, que opera o metrô, identificou um acréscimo de 1.200 passageiros diariamente na Estação Vicente de Carvalho.

Com base na bilhetagem eletrônica, a SuperVia sabe que pelo menos 10 mil embarques diários em Madureira são de passageiros que descem do BRT. Esse dado mais afinado é subestimado, já que só contabiliza os usuários que usam a integração tarifária com o Bilhete Único. Além disso, a SuperVia não registrou aumento do fluxo na Estação Madureira entre 2013 e 2014, o que indica que a maioria dos novos usuários vem do BRT. O MetrôRio informou que não tem o mesmo detalhamento a partir da bilhetagem eletrônica, porque não possui integração tarifária com o transporte por ônibus.

Na opinião do secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio, os dados refletem uma realidade positiva, em linha com que estado e município projetam para os transportes de massa do Rio. “A conveniência da integração, por um lado, gera comodidade ao passageiro, e, por outro, facilita a opção pelo transporte público”, comenta Osorio.

Quando a avaliação é dos passageiros, o conceito de comodidade mencionado pelo secretário de Transportes é questionado. Na volta do trabalho à noite, a moradora da Baixada Fluminense Alessandra do Vale dos Santos, de 34 anos, pega o coletivo do BRT da Zona Oeste para a Zona Norte, onde toma um trem para casa. Antes, parte do percurso era feito em ônibus comum. Ela chega a ganhar 40 minutos no trajeto atual, mas os transtornos na baldeação aumentaram.

“Demoro menos hoje, mas o trem sai muito mais cheio, não dá nem para entrar. É preciso colocar mais trens e ônibus do BRT”, reivindica a operadora de caixa.

Trens e metrô têm de se adaptar às novas demandas

Especialistas em transportes concordam que as concessionárias precisam se adequar às novas demandas geradas pelo BRT, principalmente a SuperVia, que teve maior impacto na Estação Madureira.

“No horário de pico da manhã, deveriam sair partidas extras de trem de Madureira para a região central, a fim de absorver esses passageiros. Já existem as integrações física (entre as estações) e tarifária (com o Bilhete Único). Agora é preciso promover a integração operacional”, ressalta Eva Vider, professora de Engenharia de Transportes da UFRJ.

O engenheiro deTransportes Alexandre Rojas, da Uerj, acredita que a solução para reduzir os intervalos na SuperVia é o maior controle das invasões na via, que reduzem a velocidade dos trens. Para o metrô, sugere remodelagem da estação Vicente de Carvalho.

A SuperVia lembrou que, desde outubro, os intervalos entre os trens foram reduzidos de dez para seis minutos no ramal Deodoro, e que outros dois ramais passaram a contar com viagens expressas, parando apenas em estações estratégicas em vez de fazerem o serviço parador. Com a previsão de concluir a implantação do sistema de segurança ATP até o fim deste ano em toda a rede, que permitirá que os trens andem mais próximos, a empresa apontou que os intervalos vão diminuir mais. Até 2016, 112 trens da SuperVia terão sido substituídos, mas não há previsão de novo aumento da frota, que conta com 201 composições, 41 a mais que em 2011. O estado aguarda a liberação de recursos do PAC para construir muros, viadutos e passarelas, a fim de evitar invasões. O MetrôRio considera que o impacto do BRT é pequeno e se enquadra no planejamento atual. Já o Consórcio BRT esclareceu que os intervalos e frotas adotados no sistema seguem o planejamento da prefeitura.

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