Por monica.lima

Rio - Promessa antiga para melhorar a mobilidade na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o plano de implantar a Linha 3 do metrô para ligar as cidades de Niterói e São Gonçalo, no Leste Fluminense, será retomado. Quatro meses depois de cogitar a substituição do projeto pela construção de um corredor BRT, devido à crise financeira pela qual atravessam o estado e o país, o governo descartou a ideia do corredor exclusivo para ônibus.

O governador Luiz Fernando Pezão e o secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio, chegaram à conclusão de que o BRT seria insuficiente para absorver a demanda no percurso, apesar de ser economicamente mais viável. A informação foi divulgada pelo secretário estadual de Desenvolvimento, Marco Capute. O Estado pretende lançar Parceria Público-Privada para viabilizar a implantação do transporte sobre trilhos, que deve ser construído em viadutos, e aguarda a liberação de recursos da União.

“Definimos que o metrô é a melhor solução para a população de Niterói e São Gonçalo fazendo a conexão com as barcas (que ligam os centros de Niterói e do Rio). Contruir o BRT seria mais rápido e barato, mas não adianta investir em um projeto que teria eficácia momentânea”, afirma Capute.

A meta do governador, segundo ele, é retomar os estudos de execução do projeto e concluí-lo até o ano que vem. A expectativa é iniciar as obras até 2017 ou 2018 e elas devem durar cinco anos. A previsão para execução de um corredor para ônibus era de dois anos.

Originalmente, o governo estadual pretendia desenvolver o transporte ferroviário em monotrilho, mas também abriu mão da ideia. Os estudos indicavam que o sistema transportaria o limite da demanda estimada entre Niterói e São Gonçalo, de 229 mil passageiros por dia. Já o BRT carregaria 310 mil, mas esse número não corresponde apenas ao trecho previsto para a Linha 3, já que o corredor chegaria a outras duas cidades. “Com o metrô, iniciaríamos a operação com uma capacidade bem superior à demanda e estaríamos preparados para enfrentar um aumento da procura”, diz Osorio.

O metrô só vai sair do papel quando a União liberar os recursos. O monotrilho estava orçado em R$ 3,9 bilhões e o BRT, em R$ 1,7 bilhão. A estimativa para o metrô será conhecida quando o projeto for concluído.

Opção divide opiniões entre especiaistas

No meio acadêmico, duas vertentes disputam qual tem razão: a dos que garantem a alta capacidade de transporte do BRT, e a dos que rejeitam essa teoria, apontando o metrô como solução definitiva.
O especialista em Engenharia de Transportes Alexandre Rojas, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), recebeu com alívio a notícia da suspensão do projeto de BRT no Leste Metropolitano.

“Outros estudos já apontam que a demanda total da região é de 600 mil passageiros por dia (e não 230 mil, como estima a Secretaria de Transportes). Isso é demanda para modal de trilhos”, argumenta.
“O BRT consegue atender à demanda da Linha 3. Para isso ser possível sem risco de superlotação, basta haver um projeto adequado e número de ônibus suficiente. Não vale a pena esperar tanto tempo por um metrô prometido há décadas e que ainda é incerto”, opina o engenheiro consultor em transporte Wagner Colombini, presidente da Logit.

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