Por bruno.dutra

São Paulo - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou ontem os percentuais de reajustes da tarifa de energia da Eletropaulo — distribuidora de energia da Grande São Paulo. A partir do dia 4, a fatura do consumidor de 24 municípios da região paulista vai ficar 17,04% mais cara. Já os consumidores industriais terão aumento tarifário de 11,73%. A proposta inicial da Aneel para os consumidores de alta tensão era de 12,21%.

Nos últimos dois anos, a tarifa de energia dos clientes da Eletropaulo acumulou aumento de 83,23%. O valor do megawatt/hora da companhia subiu de R$ 238,01 em janeiro de 2013 para o valor atual de R$ 436,11. Em fevereiro deste ano houve um reajuste extraordinário de 31,91%.

Em consumo e faturamento, a Eletropaulo é a maior distribuidora de energia da América Latina, atendendo 6,8 milhões de unidades consumidoras e aproximadamente 20,1 milhões de pessoas. Em nota publica no seu site, a companhia explicou que o reajuste aprovado pela Aneel corresponde à revisão tarifária realizada a cada quatro anos para todas as distribuidoras de energia do Brasil e que o percentual de reajuste se deve à reposição do aumento dos custos com a geração de energia, decorrente da crise hídrica, que requisitou a utilização da energia produzida por usinas térmicas, que é mais cara.

De acordo com a Eletropaulo, em março deste ano já havia ocorrido uma revisão tarifária extraordinária por causa da utilização da energia térmica. Quando o governo federal definiu, no início do ano, o sistema de Bandeiras Tarifárias.

“Desde janeiro, a Bandeira Vermelha, a mais cara, é a que está em vigor. Com os aumentos já aplicados este ano, mais o índice da revisão tarifária divulgado ontem, o efeito médio acumulado a ser percebido pelo cliente residencial chega a 75%, a partir da próxima conta, se comparado com o que era pago em dezembro de 2014”, diz o texto. Segundo a Eletropaulo, do total de aumento definido pela Aneel, apenas 1,27 ponto percentual fica com a empresa. O restante paga custos com energia (geração e transmissão), tributos e encargos setoriais.

Já a Aneel justificou o aumento, alegando que o percentual aprovado levou em consideração os gastos extras da Eletropaulo com a aquisição de energia, equivalente a seis pontos percentuais do reajuste tarifário,o aumento de preços dos contratos de fornecimento elétrico e o pagamento do empréstimo para o setor, que foi tomado no ano passado, além de gastos operacionais. Segundo a Aneel, o pagamento da primeira parcela dos empréstimos bilionários ao setor, feitos no ano passado, que somaram R$ 21,2 bilhões, teve grande impacto na revisão tarifária da distribuidora paulista.

Para os empresários do comércio paulista, o anúncio do reajuste tarifário agregou mais uma má notícia ao cenário negativo. Com queda no volume de vendas de 1,2% no primeiro quadrimestre, queda de confiança do consumidor, e um saldo negativo de empregos, formado por 48,1 mil demitidos até maio deste ano, o reajuste da tarifa de 17,04% passa a significar aumento de custos.

“Inevitavelmente este reajuste vai pressionar todos os preços do varejo. E os empresários do comércio terão de reduzir suas margens para não espantar o consumidor. Na prática, já houve uma aumento na conta de energia de cerca de 50% este ano, por causa da mudança nas bandeiras tarifárias. Esse aumento vai contribuir para elevar ainda mais o custo de vida de São Paulo”, diz Fábio Pina, assessor econômico da Fecomércio/SP.

Na opinião do economista, o setor produtivo e a sociedade vêm sendo penalizados pela má gestão da infraestrutura brasileira e pela má condução das políticas públicas. “Ao invés de controlar a inflação o governo se deteve em controlar os índices de inflação. E agora teremos uma pressão inflacionária extra direta, decorrente deste reajuste, e indireta, por causa do aumento de preços dos produtos”, afirmou.

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