Consumo de gasolina cai e país volta a exportar combustível

Agência Nacional do Petróleo vê redução de 5,4% nas vendas do combustível entre janeiro e maio, a primeira retração desde 2009. Segundo Secex, vendas externas triplicaram em junho

Por O Dia

Rio - A retomada das vendas de etanol derrubou o consumo brasileiro de gasolina nos cinco primeiros meses de 2015 e pode ter contribuição positiva para o fechamento da balança comercial brasileira no ano. Segundo dados compilados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a demanda pelo derivado de petróleo caiu 5,4% entre janeiro e maio, enquanto o mercado de etanol hidratado subiu 34,9%. Os impactos do cenário já começam a aparecer nas estatísticas de comércio exterior: em junho, as vendas externas de gasolina registraram alta de 129% com relação a igual mês em 2014, mesmo com preços mais baixos no mercado internacional.

De acordo com especialistas, a mudança tem relação com o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, que começou a vigorar em março, e com a melhora de competitividade do etanol hidratado após os últimos reajustes nos preços dos combustíveis — fruto de decisão da Petrobras, em novembro, e de aumento da carga tributária, este ano, como parte do programa de ajuste fiscal. Ainda não é possível, porém, determinar se a tendência de aumento das exportações se manterá até o final do ano.

“Estamos fazendo exportação de gasolina, dado que a expectativa de demanda não está num momento de muita exigência”, afirmou, na segunda-feira, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. Segundo dados da ANP, a retração no mercado de gasolina vem se intensificando desde fevereiro, quando as vendas registraram queda de 0,7%. É a primeira vez desde 2009 que a demanda pelo combustível cai. Por outro lado, as vendas de etanol hidratado crescem a taxas cada vez maiores: em 2014, o aumento foi de 10,54%; no acumulado deste ano, mais do triplicou, para 34,9%.

Tradicional exportador de gasolina, o país voltou a importar o combustível em grandes quantidades a partir de 2011, diante do crescimento acelerado da frota de veículos e da falta de investimento em novas refinarias. No ano passado, segundo dados da Secex compilados pela ANP, o Brasil gastou US$ 1,582 bilhão — metade do recorde de US$ 3 bilhões atingido em 2012. Este ano, até maio, o dispêndio com a compra do derivado de petróleo soma US$ 743,8 milhões. Agora, em junho, as vendas externas somaram US$ 27,2 milhões. Em volume, as vendas quadruplicaram com relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 0,5 milhões para 2,1 milhões de toneladas.

“Com o avançou do etanol hidratado, realmente cai a pressão por importações, mas ainda não acho que esteja sobrando gasolina”, diz um executivo ligado ao segmento de distribuição de combustíveis. A gasolina brasileira é normalmente destinada à África e ao Caribe. A produção do combustível nas refinarias também tem apresentado queda, segundo a ANP, indicando que a Petrobras tem optado por produzir outros combustíveis.

De acordo com a Secex, a balança comercial do petróleo tem apresentado estatísticas mais favoráveis este ano. No primeiro semestre, o gasto com compras de petróleo e lubrificantes caiu 36%, com relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 12,176 bilhões. A receita com importações também teve queda, mas o saldo negativo no período caiu de US$ 10,2 bilhões para a casa dos US$ 5 bilhões. Além da redução das vendas internas, os preços mais baixos no mercado internacional contribuem para a melhora no cenário.

Em dezembro, a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) estimava que o país fecharia 2015 com um superávit de US$ 8 bilhões na balança comercial, motivado mais pela queda de importações do que pelo aumento das exportações. O presidente da entidade, José Augusto de Castro, disse que os números estão sendo revistos e preferiu não projetar o desempenho do setor de petróleo até o final do ano. No primeiro semestre, a balança como um todo apresentou superávit de US$ 2,2 bilhões, o maior para o período desde 2012, com forte impacto da queda das importações. Mais uma vez, porém, houve contribuição da exportação fictícia de uma plataforma de produção de petróleo.

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