Para Cardozo, acusação contra João Santana é 'uma coisa estapafúrdia'

Ministro da Justiça saiu em defesa do marqueteiro preso na Lava Jato

Por O Dia

São Paulo e Curitiba - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, classificou nesta terça-feira como “uma coisa estapafúrdia” a tentativa do PSDB e de setores dissidentes do PMDB de vincular os pagamentos sob investigação para o marqueteiro João Santana com a campanha de 2014 da presidente Dilma Rousseff.

O marqueteiro João Santana durante desembarque em São Paulo Reuters

“A campanha de Dilma pagou R$ 70 milhões para João Santana. É a maior contratação que temos. Por que quem paga R$ 70 milhões tem que pagar por fora alguma coisa como US$ 7,5 milhões? Não tem o menor sentido. É um verdadeiro nonsense, uma coisa estapafúrdia”, disse Cardozo. “Quem declarou R$ 70 milhões pode declarar R$ 80 milhões, R$ 85 milhões. Por que então (o marqueteiro) teria de receber no caixa 2?”, questionou o ministro.

Nesta terça, Santana e sua mulher, Monica Moura, se entregaram à Polícia Federal, em São Paulo, depois de desembarcarem de um voo vindo de Punta Cana, na República Dominicana. De lá, foram para a superintendência da PF de Curitiba, onde fizeram exame de corpo de delito. O procedimento é de praxe depois da prisão. Santana se apresentou à PF sem telefone celular e sem notebook.

Coordenador das campanhas eleitorais que levaram Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff à Presidência, o publicitário é suspeito de receber US$ 7,5 milhões em contas no exterior entre 2012 e 2014. Os valores teriam sido pagos pela offshore Klienfeld, identificada pela força-tarefa da Lava Jato como um dos caminhos de propina da Odebrecht no exterior, e pelo engenheiro Zwi Skornicki, suspeito de operar o esquema de propina na Petrobras.

A suspeita é de que os pagamentos correspondem a serviços eleitorais prestados ao PT. O advogado Fábio Tofic, que defende o publicitário, afirmou que o marqueteiro tem como comprovar que “não há um centavo” de campanhas eleitorais brasileiras nas contas dele no exterior. “Das nove últimas campanhas que ele fez, seis foram em outros países”, disse Tofic.

PT pede investigação de FHC

Representação apresentada nesta terça pelo PT e o PC do B pede que a Polícia Federal abra inquérito para investigar a suspeita de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), do PSDB, tenha usado uma empresa privada para enviar dinheiro ao exterior para a jornalista Mirian Dutra, com quem manteve um relacionamento extraconjugal nos anos 1980 e 1990.

A ação acontece no mesmo dia em que a oposição intensificou as críticas contra o governo Dilma Rousseff devido à prisão do marqueteiro das campanhas do PT João Santana. A representação foi entregue ontem em encontro de deputados do PT e do PC do B com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que é do PT.

Segundo os deputados, o ministro afirmou que irá encaminhar o pedido ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello, para que ele defina qual superintendência da polícia comandará a investigação. A representação pede ainda investigação sobre aquisição de uma fazenda pelo tucano em Minas Gerais.

Nova data para Lula depor 

O promotor Cássio Conserino, responsável por conduzir a investigação envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre suposta ocultação de patrimônio no tríplex do Guarujá, deve retomar hoje a análise do caso e avaliar o agendamento do depoimento do petista e de sua esposa, Marisa Letícia.

No início da tarde desta terça, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) confirmou a competência do promotor para permanecer à frente da investigação. Há uma semana, o conselheiro Valter Shuenquener, integrante do CNMP, suspendeu de forma liminar o depoimento de Lula e Marisa que estava marcado para o último dia 17.

Ao levar o caso para discussão no plenário do órgão nesta terça, contudo, Shuenquener votou pela manutenção de Conserino no caso e revogou a liminar. Os demais 13 integrantes do órgão seguiram o entendimento do relator. Para o procurador-geral da Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa, a decisão do CNMP confirma o acerto de “todos os atos” de apuração praticados no MP.

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