Cardozo alega pressão de Lula para deixar o Ministério da Justiça

A interlocutores, Cardozo confidenciou que sua situação à frente da Justiça estava 'insustentável'

Por O Dia

Brasília - Em comunicado oficial, a presidente Dilma Rousseff informou nesta segunda-feira a saída de José Eduardo Cardozo, que deixou o Ministério da Justiça, e vai para a Advocacia-Geral da União (AGU). Cardozo vai ocupar o lugar de Luís Inácio Adams, que já havia decidido sair o governo. Dilma nomeou o procurador do Ministério Público da Bahia Wellington César para o lugar de Cardozo.

Além de mexer nos ministérios da Justiça e da AGU, Dilma decidiu também fazer mudanças no comando da Controladoria-Geral da União (CGU), órgão interno que atua no combate à corrupção em instituições federais. Luiz Navarro, que já atuou na CGU e é especialista no combate a desvios na esfera pública, assumirá a pasta, hoje interinamente ocupada por Carlos Higino.

A interlocutores, Cardozo confidenciou que sua situação à frente da Justiça estava “insustentável”. Ele conversou no domingo à noite com a presidente Dilma Rousseff sobre sua saída da pasta. Horas antes, havia dito a amigos que tinha “perdido a paciência” diante das pressões feitas pelo PT e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediam há meses sua saída do cargo.

Na avaliação de Lula, Cardozo é o responsável pelo avanço das investigações da Operação Lava Jato, atingindo o PT e o Palácio do Planalto. Para o ex-presidente, “Zé Eduardo não controla a Polícia Federal”. Em sua defesa, Cardozo argumenta que sempre rejeitou interferências externas na corporação e que a PF age de forma “independente”

A ida de Cardozo para o comando da CGU foi criticada por entidades de servidores e advogados do órgão, que esperavam que a presidente indicasse um nome de carreira para o cargo, além de levar em conta lista tríplice enviada ao Palácio do Planalto para substituir o ministro Luís Adams.

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