Dilma se defende de acusações feitas por Delcídio do Amaral

Presidenta mostrou apoio a Lula, que prestou depoimento na Polícia Federal sob mandado de condução coercitiva

Por O Dia

Brasília - A presidente Dilma Rousseff, em pronunciamento em rede nacional, nesta sexta-feira, se solidarizou com o ex-presidente Lula ao afirmar ter ficado “inconformada” com ação da Po lícia Federal. Dilma também rebateu as acusações feitas pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS), em delação premiada aos investigadores da Operação Lava Jato. Nos cerca de dez minutos de sua fala, Dilma dedicou apenas os primeiros dois minutos à defesa de Lula.

A presidente repetiu termos de nota divulgada à imprensa uma hora antes e disse estar “inconformada” com a “desnecessária” condução coercitiva de Lula, que “por várias vezes compareceu de forma voluntária para prestar esclarecimentos”. Citou ainda a importância da concordância do Supremo Tribunal Federal (STF) com procedimentos desse tipo, mas que “jamais impliquem em providências desnecessárias”.

No início da tarde, Dilma telefonou para Lula, logo após o depoimento do ex-presidente à Polícia Federal, para prestar solidariedade. Depois de se reunir com prefeitos, governadores e ministros, a presidente saiu em defesa de Lula publicamente. A estratégia é tentar reconquistar o apoio da militância petista, insatisfeita com a condução da política econômica.

Dilma se defende de acusações feitas por Delcídio do AmaralAntônio Cruz/Agência Brasil

“Quero manifestar meu mais absoluto inconformismo com o fato do ex-presidente, que por várias vezes compareceu de maneira voluntária para prestar esclarecimentos às autoridades, seja submetido agora a uma desnecessária coação coercitiva”, discursou.

Em seguida, Dilma partiu para o ataque ao senador Delcídio. Ela afirmou que o petista fez as acusações por um desejo “imoral” e “mesquinho”. Para ela, as suspeitas tiveram como único objetivo atingi-la. Ainda classificou como “lamentável” o vazamento do conteúdo da delação premiada.

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“É lamentável que ocorra ilegalmente o vazamento de uma hipotética delação premiada e teve como objetivo único atingir minha pessoa pelo desejo imoral e mesquinho de vingança de quem não defendeu quem não poderia ser defendido pelos atos que praticou”, disse. 

A presidente rebateu cada referência feita a ela na delação premiada Delcídio, e não citou as acusações contra o seu antecessor no Palácio do Planalto também presentes no depoimento do senador. No pronunciamento, Dilma destacou que, em 2014, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, arquivou investigação pela compra da refinaria de Pasadena, lembrando que ele afirmou não ter havido delito por parte do Conselho de Administração da Petrobras no negócio. A presidente também negou ter interferido junto ao Poder Judiciário para liberar da prisão os empresários Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo, como acusou o senador petista. Segundo ela, são “subjetivas” e “insidiosas” as acusações do senador.

A avaliação é que a condução coercitiva de Lula nesta sexta acabou tendo um efeito interno de unir o PT e o governo no objetivo comum de defender o ex-presidente. Mas o Planalto está cauteloso e trabalha para não trazer para dentro do governo a agenda negativa das investigações de Lula. No governo, há o dilema de ter que defender o ex-presidente do ponto de vista político mas sem se envolver com questões específicas das denúncias, como o sítio em Atibaia e o tríplex em Guarujá.


Oposição promete obstruir votações

Decidida a acelerar a tramitação do processo de impeachment de Dilma Rousseff, a oposição vai obstruir os trabalhos na Câmara dos Deputados até que seja instalada a comissão especial que vai analisar o pedido contra a presidente. O processo foi paralisado porque o presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recorreu da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou a eleição da comissão realizada no ano passado.

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), foi procurado pela manhã para unificar o discurso pró-impeachment da oposição. Além dos tucano, participaram da reunião deputados e senadores do DEM, PPS, PTB, PRTB e PSB.

“Os líderes da Câmara vão, a partir da próxima segunda-feira, interromper as votações até que se instale a Comissão do Impeachment. É a oportunidade para se discutir os problemas graves que afetam todos os brasileiros”, disse Aécio Neves.

Os partidos de oposição divulgaram ainda uma nota em que manifestam “apoio e confiança nas instituições nacionais e ao trabalho de investigação realizado pela Operação Lava Jato”.

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