Lula também é alvo de Delcídio

Revista ‘IstoÉ’ diz que revelação indica que ex-presidente tentou interferir na Lava Jato

Por O Dia

Brasília - As acusações do senador Delcídio do Amaral são impiedosas com o ex-presidente Lula. Segundo Delcídio, partiu de Lula a ordem para que o senador tentasse convencer o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, preso na Lava Jato, a não implicar o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente, em uma eventual delação premiada.

Delcídio foi preso após ser gravado pelo filho de Cerveró prometendo atuar junto a ministros para interferir na Lava Jato. No caso, Delcídio intermediaria o pagamento de valores à família de Cerveró. Segundo a ‘IstoÉ’, os R$ 50 mil entregues pelo senador ao advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, saíram do bolso do empresário Bumlai. No total, foram R$ 250 mil.

A revista ‘IstoÉ’ diz que a revelação pode indicar que o ex-presidente Lula tentou interferir na Lava Jato — mesmo motivo que levou à prisão de Delcídio. De acordo com a reportagem, o senador afirmou que um dos temas que “mais aflige” o ex-presidente Lula é a CPI do Carf, que apura a compra de Medidas Provisórias durante o governo do petista para favorecer montadoras e o envolvimento do seu filho, Luiz Cláudio, no esquema.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve neste sábado no Hospital Sírio-Libanês%2C em São PauloDivulgação / Instituto Lula

Em outubro de 2015, uma das empresas de Luiz Cláudio, a LFT Marketing Esportivo, recebeu pagamentos de Mauro Marcondes, um dos lobistas investigados por negociar a edição e aprovação da MP 471 durante o governo Lula. A norma prorrogou incentivos fiscais para o setor automotivo. Luis Cláudio, que também é dono da empresa Touchdown, confirma o recebimento de R$ 2,4 milhões.

Delcídio teria dito, segundo a revista, que “por várias vezes Lula solicitou a ele que agisse para evitar a convocação do casal Mauro Marcondes e Cristina Mautoni para depor”. Mauro e Cristina são sócios e estão presos preventivamente.

O ex-presidente Lula negou participação em qualquer atividade ilegal relacionada aos fatos investigados pela Operação Lava Jato. Em nota divulgada pelo Instituto Lula, ele diz que “jamais participou, direta ou indiretamente, de qualquer ilegalidade, seja nos fatos investigados pela Operação Lava Jato, ou em qualquer outro, antes, durante ou depois de seu governo”.

Um dos principais aliados de Lula, o ex-ministro Gilberto Carvalho, afirmou que foi de indignação a sua primeira reação ao saber do vazamento da delação de Delcídio. Para ele, a insinuação de que Lula teria induzido o senador a repassar dinheiro para ajudar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró a fugir do País “beira o raio da loucura. A palavra de Delcídio é vazia e desacreditada. Ele vai ter que mostrar provas. É mais uma pólvora da Lava Jato que se esvai”.

Bolsas sobem e dólar cai

Enquanto a tensão aumentava em Brasília com o terremoto provocado pelas acusações do senador Delcídio Amaral ao ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, no mercado financeiro a suposta delação do senador teve efeito positivo. Principal alvo das investigações, a Petrobras registrou subida histórica em um só dia de suas ações, de 16%.

Alta nas ações da estatal influenciou outros papéis e a Bolsa de Valores de São Paulo teve o maior avanço nos últimos sete anos, 5,12%. A moeda americana, por sua vez, desceu ao menor patamar este ano, a R$ 3,80.

Segundo analistas, no mercado financeiro, notícias potencialmente desfavoráveis para o governo tendem a repercutir positivamente. Elas favorecem apostas de mudança no cenário político e econômico. “As notícias políticas têm um forte impacto e de curto prazo”, disse o economista da Rio Bravo Investimentos, Evandro Buccini.

A expectativa do mercado é que novas revelações afetem nomes ainda mais relevantes na política nacional.

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