'Manifesto meu integral inconformismo', diz Dilma sobre operação contra Lula

Presidenta defendeu o 'cumprimento da Constituição'. Outras personalidades também comentaram sobre a ação nesta sexta

Por O Dia

São Paulo - Em nota oficial divulgada no seu Facebook, a presidenta Dilma Rousseff manifestou "integral inconformismo" sobre a investigação da 24ª fase da Operação Lava Jato, na qual os agentes da Polícia Federal levaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de sua casa, na manhã desta quinta-feira, sob um mandado de condução coercitiva. Ela destacou que a única via segura para o "bom exercício das funções pública e o respeito aos direitos individuais" é o cumprimento da Constituição da República.

"No meu governo, garanti a autonomia dos órgãos responsáveis por investigações de atos de improbidade e de corrupção, mas sempre exigi o respeito à lei e aos direitos de todos os investigados. Nesse momento, na qualidade de Chefe de Estado, avalio necessário ponderar que todos nós, agentes públicos, independentemente do Poder em que atuamos, devemos ter um profundo senso de responsabilidade em relação ao cumprimento das nossas competências constitucionais", destacou Dilma.

Lula deu entrevista coletiva após depor durante três horas na Polícia FederalDouglas Pingituro / Agência O Dia

Além disso, a presidenta reforçou que as investigações da Lava Jato devem continuar para dar "punição a quem deve ser punido". No entanto, ela afirmou que vazamentos ilegais de informações — fazendo alusão ao depoimento do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) à delação premiada, que foi publicado na revista Istoé —, não ajudam a encontrar os "verdadeiros culpados". "Prejulgamentos antes do exercício do contraditório e da ampla defesa, não contribuem para a busca da verdade, mas apenas servem para animar a intolerância e retóricas antidemocráticas", acrescentou.

Outras personalidades comentam sobre a operação

Além de Dilma Rousseff, a operação desta sexta-feira foi comentaada por diversas personalidades, como artistas, parlamentares e líderes sindicais. Em entrevista ao DIA, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), afirmou que qualquer pode ser investigada, mas "mandato de depoimento coercitivo parece uma medida extrema". Ele acrescentou ainda que o Lula não se negou em nenhum momento a dar depoimentos à PF.

"Essa medida pode prejudicar até mesmo a própria Operação Lava Jato. Não defendo Lula, mas, sim, a democracia. Se não há nenhuma notícia da negativa de depoimento, por que uma medida coercitiva se não houve negativa? Não é comum. Isso não é rotineiro. Pra que essa medida? Para atender outros interesses? Produzir imagem?", refletiu o parlamentar.

O ator José de Abreu também prestou solidariedade ao ex-presidente. No Twitter, o artista divulgou diversos atos que estavam acontecendo pelo país e disse que agora colocaram a campanha de Lula para as eleições presidenciais de 2018. Além disso, o deputado federal Wadih Damous (PT) denominou essa atitude como "golpe". "Temos que barrar, não podemos cometer o erro que gerações que nos precederam cometeram, tendo ilusões de que isso faz parte da democracia", publicou na rede social.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Combate às Endemias e Saúde Preventiva no Estado do Rio de Janeiro (SINDSAUDERJ), Sandro Alex de Oliveira Cezar, afirmou que "está apreensivo há um tempo" em relação aos "caminhos que a Lava Jato está tomando". Para ele, a partir do momento que um juiz federal "extrapola suas funções", há um risco para a democracia no país.

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"Como você manda alguém ser conduzido pela polícia se essa pessoa nunca se negou em comparecer? Qual argumento? Estamos vivendo um estado de exceção. Nossa opinião é que os trabalhadores brasileiros tome as ruas, estamos lutando pela democracia. Ninguém pode ser conduzido por decisão judicial sem nunca ter negado a depor", destacou.

Assim como Sandro, o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze, afirmou que o Estado Democrático deve ser preservado e disse que "ninguém pode estar acima da lei". No entanto, ele preferiu se manter imparcial diante da nova investigação da Lava Jato. "Estamos esperando que a verdade venha à tona e que os culpados sejam penalizados. Nos mantemos imparcial nessa discussão. As autoridades estão encarregadas de fazer investigação dos fatos. O poder judiciário e a Polícia Federal estão com a responsabilidade de denunciar. Queremos a verdade", acrescentou.

Já o senador Aécio Neves (PSDB) comemorou a nova investigação da Operação Lava Jato. Em seu Facebook, o parlamentar disse que essa fase "é um passo definitivo para que os brasileiros possam ter acesso à verdade que há muito tempo vem sendo sonegada no país". "O dia de hoje exigirá de todos nós coragem e serenidade. Os graves indícios de irregularidades e crimes cometidos à sombra do projeto de poder do PT finalmente estão vindo à luz. Vamos continuar apoiando as investigações. O Brasil merece conhecer a verdade", completou Aécio.

O vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Rio de Janeiro, Álvaro Luiz, ressaltou ainda que "o país está entrando nos trilhos agora" e elogiou a atitude da PF. "Em relação ao Lula ter ido depor, eu acho que foi excelente. A gente quer saber a verdade. Muita coisa estava escondida debaixo do tapete. Queremos que o resultado final dessa operação venha ser bom para a nação", comemorou.

 

Em relação às medidas decididas pela Justiça Federal, a pedido do Ministério Púbico, e executadas, no dia de hoje, pela...

Publicado por Dilma Rousseff em Sexta, 4 de março de 2016

Com a colaboração da estagiária Carolina Moura

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