Para Instituto Lula ação 'desrespeita o Supremo e compromete sua credibilidade'

PF cumpre nesta sexta-feira, mandados de busca e apreensão, além de várias conduções coercitivas. Ex-presidente Lula e família foram levados para prestarem depoimentos

Por O Dia

São Paulo - Agentes da Polícia Federal deflagraram desde as primeiras horas da manhã desta sexta-feira a 24ª fase da Operação Lava Jato e cumprem diversos mandados nos endereços do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do seu filho, Fabio Luiz Lula da Silva, além de cumprirem mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

O Instituto Lula confirmou ao Broadcast Político que há agentes também em sua sede no Ipiranga, no sudeste da capital paulista. Por volta das 8h, Lula foi levado para depor à PF em um carro descaracterizado. O veículo seguiu para o Aeroporto de Congonhas, onde ocorre o depoimento. Houve princípio de confusão entre manifestantes pró e contra o ex-presidente na frente do prédio do político em São Bernardo do Campo.

A operação foi deflagrada com base em investigações sobre a compra e reforma de um sítio em Atibaia frequentado pelo político, o fato de sua mudança ter sido transportada para o local e a relação desses episódios com empreiteiras investigadas na Lava Jato, além da relação dele com um tríplex no Guarujá reformado pela OAS.

Por volta das 10h, o Instituto Lula divulgou nota, e avaliou que a operação desta sexta-feira "desrespeita o Supremo e compromete sua credibilidade". no comunicado a assessoria de imprensa do instituto do político diz que "a violência praticada hoje contra o ex-presidente Lula e sua família, contra o Instituto Lula, a ex-deputada Clara Ant e outros cidadãos ligados ao ex-presidente, é uma agressão ao estado de direito que atinge toda a sociedade brasileira. A ação da chamada Força Tarefa da Lava Jato é arbitrária, ilegal, e injustificável, além de constituir grave afronta ao Supremo Tribunal Federal."

A nota reitera que Lula jamais ocultou patrimônio ou recebeu vantagem indevida, antes, durante ou depois de governar o País. "Jamais se envolveu direta ou indiretamente em qualquer ilegalidade, sejam as investigadas no âmbito da Lava Jato, sejam quaisquer outras." e que "a violência praticada nesta manhã - injusta, injustificável, arbitrária e ilegal - será repudiada por todos os democratas, por todos os que têm fé nas instituições e do estado de direito, no Brasil e ao redor do mundo". 

O instituto complementa dizendo que a ação "é uma violência contra a cidadania e contra o povo brasileiro, que reconhece em Lula o líder que uniu o Brasil e promoveu a maior ascensão social de nossa história."

Ex-ministro sai em defesa de Lula 

Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação do governo Dilma Rousseff, também saiu em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por meio de sua página no Facebook, o ex-ministro comparou o "o cerco a Lula" à prisão do chefe da guarda pessoal do ex-presidente Getúlio Vargas, Gregório Fortunato, que foi detido pela suspeita de ter comandado um atentado contra Carlos Lacerda. 

Segundo Janine, "um apartamento de classe média no Guarujá, um sítio decorado com hábitos modestos vão cercando o ex-presidente Que ele poderia e deveria depor, OK, mas condução coercitiva, nunca". 

O ex-ministro disse ainda que a Polícia Federal deveria negociar seu depoimento, "com absoluto respeito ao cargo que ocupou". Para ele, ao desrespeitá-lo, estão sendo desrespeitados os brasileiros que o conduziram à presidência e também os que o apoiam. "O que é visível é que as cartas estão lançadas, para a deposição de Dilma e o descarte de Lula como candidato, seja em 2016 ou em 2018", finalizou.

Com informações da Agência Estado

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