Lula chora e se 'oferece' como candidato à presidência da República

Em novo pronunciamento, Lula disse ser 'jovem de 70 anos de idade, com tesão de jovem de 30'

Por O Dia

São Paulo - Em discurso emocionado para centenas de apoiadores, no centro de São Paulo na noite desta sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que encarou como uma "ofensa pessoal" a condução coercitiva realizada pela Polícia Federal em sua residência, em São Bernardo do Campo. "Foi um desrespeito a alguém que dedicou a vida a esse País", disse Lula, no palco da Quadra dos Bancários. O ex-presidente afirmou também que o que viu hoje foi um show de pirotecnia. O ex-presidente disse estar disposto a disputar mais uma vez a presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores. 

"Eu estava quieto no meu canto, na expectativa de que vocês escolhessem alguém para disputar 2018. Cutucaram o cão com vara curta. Portanto, eu quero me oferecer a vocês. Esse jovem de 70 anos de idade, mas com o tesão de um jovem de 30, com um corpo de atleta de 20. Eu me ofereço a vocês, não tenho preguiça de acordar cedo".

Lula chorou algumas vezes durante durante discurso e aformou que seus opositores terão de enfrentá-lo nas ruas para derrotá-loReprodução TV

O ex-presidente disse estar disposto a percorrer o país para se defender das acusações levantadas pela Operação Lava Jato contra ele e o partido. O presidente disse aos seus opositores que para derroá-lo terão de o enfrentar "nas ruas do país".  "Quero comunicar aos dirigentes que estão aqui que, a partir de segunda-feira, estou disposto a viajar esse país do Oiapoque ao Chuí. Se alguém pensa que vai me calar com perseguição e denúncia, vou falar que sobrevivi à fome. Não sou vingativo e não carrego ódio na minha alma, mas quero dizer que tenho consciência do que posso fazer por esse povo e tenho consciência do que eles querem comigo." disse Lula."Se vocês estão precisando de alguém para comandar a tropa, está aqui", completou

Cercado por várias lideranças sindicais e políticas, Lula voltou a dizer que não é dono dos imóveis investigados na operação Lava Jato e criticou o juiz federal Sério Moro, que autorizou a ação da PF. "Ele não precisava ter feito", afirmou, lembrando as vezes em que se colocou à disposição para prestar esclarecimentos à Justiça. "Se eles (o juiz Sério Moro e os procuradores), juntos, forem R$ 1 mais honesto do que eu, desisto da vida política", acrescentou.

Lula chegou a chorar em alguns momentos de seus discurso, quando lembrou de avanços sociais ao longo de seus dois mandatos. Depois de citar o crescimento da geração de emprego e o aumento real do salário mínimo, provocou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Essas coisas ele não escreve nos livros dele", disse.

Por vezes foi interrompido pela plateia com gritos de apoio. "O Lula é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo", cantaram. Orgulhoso de seus feitos, Lula afirmou que foi o melhor presidente da história do País e o melhor presidente do mundo no começo do século XX. "O mundo inteiro admirava o que a gente tinha feito", disse.

"E a elite brasileira, que nós chamamos de coxinha, não consegue aceitar a ideia de uma mulher governar um país como esse", disse o ex-sindicalista, em referência à presidente Dilma Rousseff. Falou, inclusive, que a presidente não tem de fazer política voltada para o mercado, mas sim para que o brasileiro volte a consumidor. O ex-presidente disse ainda que, em todas as vezes em foi derrotado em eleições, comportou-se como um democrata, aceitando a derrota e tentando novamente em uma próxima oportunidade.

EM TEMPO

No início da noite, Lula sofreu mais uma derrota. O Supremo Tribunal Federal negou seu pedido de suspensão das investigações sobre ele na Lava Jato.

Em primeiro discurso à tarde, ex-presidente disse que se sentiu um 'prisioneiro'

Demorou umas cinco horas para o impacto da condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se transformar em palanque político. Em discurso na sede do PT em São Paulo, ele disse, com a oratória e o carisma que lhe é peculiar, que se sentiu um prisioneiro, que nunca se opôs a prestar depoimento e que está magoado e ofendido com a medida.

“Me senti ultrajado, mas isso era o que precisava acontecer para o PT levantar a cabeça. Todo santo dia alguém faz o partido sangrar. A partir da semana que vem, quem quiser discurso do Lula, é só pagar a passagem de avião. Não sei se serei candidato em 2018, mas essas coisas aumentam o tesão da gente. Tentaram matar a jararaca, mas não acertaram na cabeça, acertaram no rabo. A jararaca está viva”, disse, em tom emocionado.

Petistas vibram após discurso de Lula %2C com presenças de Jandira Feghali (PCdoB) e Lindbergh Farias (PT)Instituto Lula

O ‘discurso’ foi feito entre petistas também atingidos pela operação Alethea, como funcionários do PT, e com as importantes presenças da deputada Jandira Feghali (PCdoB) e do senador Lindbergh Farias (PT).

O ex-presidente desafiou investigadores a encontrarem irregularidade em sua conduta e até exagerou na hora de mostrar a origem pobre e humilde, ao falar que não entende nada de vinhos.

Citou o juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato na primeira instância e autorizou a condução coercitiva. “O Moro não precisava ter mandado uma coerção na minha casa de manhã, na casa do Delcídio, do Paulo Okamotto, não precisava. Era só ter convidado. Eu iria em Curitiba, iria a Brasília, era só ter chamado.”

O advogado Cristiano Zanin, que defende Lula, afirmou que a condução coercitiva do ex-presidente para depor na Polícia Federal foi uma ‘afronta’ à Constitução e não tem base jurídica. Ele classificou como um ‘absurdo’ a alegação de que a medida se deu por questões de segurança. “A falta de base jurídica do pedido de condução coercitiva salta aos olhos. Essa medida só se justifica quando o intimidado não comparece para dar depoimento.”

A Associação dos Magistrados Brasileiros emitiu nota ressaltando que “a Justiça tem demonstrado eficiência e independência diante do alcance das investigações, da gravidade dos atos de corrupção e das pressões políticas enfrentadas”. A Associação de Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj) também manifestou seu apoio aos magistrados responsáveis pelos processos da Operação Lava Jato. “Os juízes têm se conduzido com coragem, independência e correção nas decisões, sempre respeitando o direito de defesa”, divulgou a Amaerj.

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