Por cadu.bruno

Brasília - Depois da tempestade política que atingiu o governo na semana passada, a presidente Dilma Rousseff está agora preocupada com o crescimento da pressão pelo seu impeachment no Congresso. A avaliação do Palácio do Planalto é que a ofensiva contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato, a delação do ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral (PT-MS) e a prisão do marqueteiro João Santana fortalecem as manifestações contra o governo, previstas para o próximo domingo.

A temperatura política das ruas, com o aumento dos protestos, é apontada como decisiva para o impeachment ganhar força, embora o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tenha se tornado réu em processo por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Mas o monitoramento das redes sociais feito pelo governo indica que a insatisfação popular cresceu muito.

Dilma começa a semana com a volta da pressão feita pela oposição a favor do processo de impeachment Divulgação

A estratégia da oposição é obstruir as votações na Câmara até que seja instalada a Comissão Especial que vai analisar o impeachment de Dilma. Os oposicionistas analisam se fazem um aditamento do atual pedido ou se apresentam um novo requerimento. O pedido de destituição que tramita na Câmara dos Deputados hoje se baseia apenas nas pedaladas fiscais, que foram as distorções contábeis cometidas pelo governo para maquiar as contas de 2014.

“Impeachment por pedaladas não passa mais. Se ocorrer um impeachment será por conta das denúncias de Delcídio”, resume Chico Alencar (Psol-RJ).

Ameaçada pelo impeachment, Dilma se reaproximou de Lula. Ela foi pessoalmente a São Bernardo do Campo para se reunir com o ex-presidente e prestar solidariedade contra a condução coercitiva de Lula pela Polícia Federal determinada pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato. A presidente continua, no entanto, distante do PT, partido essencial para ajudá-la a preservar o mandato. E as manifestações em defesa de Lula mostraram que Dilma precisa do PT para evitar o impeachment.

Além do impeachment e das manifestações programadas para domingo, a presidente também começa a semana à espera da decisão da Justiça sobre a suspensão da nomeação do novo ministro Wellington César Lima e Silva. Na sexta-feira, a Justiça Federal do Distrito Federal entendeu que o ministro, que é membro do Ministério Público da Bahia, não pode exercer o cargo de ministro da Justiça. A palavra final sobre o caso será dada nesta quarta-feira, dia 9, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao mesmo tempo, o governo tenta manter a agenda do ajuste fiscal, essencial para a retomada da economia. Amanhã, o Fórum de Debates sobre Políticas de Emprego, Trabalho e Renda e Previdência vai apresentar propostas de novas regras para as aposentadorias dos trabalhadores.
Brasília e Rio

Você pode gostar