Por bianca.lobianco

São Paulo - Ao retomar ontem a sua agenda oficial, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) evitou comentar sobre a 24ª fase da Operação Lava Jato, que levou, de forma coercitiva, o ex-presidente Lula para depor na Polícia Federal. No entanto, ele defendeu a pacificação e a harmonia entre os poderes da República, mas não citou, em momento algum, o nome da presidente Dilma Rousseff.

Michel Temer%3A o vice-presidente se rebelou e criticou Dilma nas redes sociaisDivulgação

“Temos de dar as mãos para tirar o país da crise. Este não é momento de se pensar no valor governo, nem no valor partido, mas no país como um todo. Somente dessa forma retomaremos a confiança dos brasileiros. O Executivo, o Legislativo e o Judiciário precisam andar em harmonia. A falta de harmonia entre os três poderes é uma inconstitucionalidade”, afirmou Temer.

Na última sexta-feira, dia em que a Polícia Federal utilizou gigantesco aparato bélico para buscar o ex-presidente Lula em casa para depor na Lava Jato, Michel Temer suspendeu todos os compromissos para acompanhar os desdobramentos da ação. Temer cancelou viagens a Campo Grande, Goiânia e Palmas.

Caciques do PMDB dizem que é preciso ter cuidado neste momento e que há uma grande preocupação de que Temer se exponha outra vez, como no ano passado, quando criticou abertamente a presidente Dilma Rousseff. A cúpula do partido diz que o vice-presidente deve se manter em silêncio sobre a crise e o processo de impeachment até que o Supremo Tribunal Federal decida como o caso será conduzido no Congresso.

Com relação à economia, Temer disse ser otimista e que há a necessidade da criação de distritos industriais para a geração de mais empregos no país. “O que o país mais precisa hoje é de unidade. Precisamos de um instante para que todos possam dar as mãos e tirar o país da crise. O desemprego vai gerar uma conflitância social”, disse o vice-presidente.

Em razão dos fatos ocorridos na última sexta-feira com o ex-presidente Lula e por causa da suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que pôs Dilma Rousseff no epicentro do terremoto, a oposição e setores do PMDB, contrários à presidente, querem conversar com Michel Temer sobre um possível impedimento dela.

No cumprimento da agenda oficial, o vice-presidente Michel Temer esteve ontem no município de Tietê (SP) para participar de cerimônia em comemoração ao aniversário de 174 anos de sua cidade natal.

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