Começa a se fechar o cerco a Eduardo Cunha e família

Procurador defende que Sérgio Moro investigue a mulher e a filha do presidente da Câmara

Por O Dia

Rio - A situação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fica mais difícil a cada dia que passa. O peemedebista e a família sofreram ontem dois revezes. Depois de idas e vindas, o Conselho de Ética conseguiu finalmente entregar a Cunha notificação para que ele apresente sua defesa por escrito, no prazo de dez dias úteis. O processo contra o peemedebista foi aberto na semana passada e poderá levar à cassação de seu mandato.

Também ontem o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, requereu ao Supremo Tribunal Federal que a investigação envolvendo a mulher e a filha de Cunha seja deslocada para as mãos do juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato. Janot sustenta que Cláudia Cordeiro Cruz e Danielle Dytz da Cunha Doctorovich, mulher e filha do presidente da Câmara, estão envolvidas em parte dos crimes a ele atribuídos.

Depois de tentativa frustrada na quinta-feira passada%2C funcionário do Conselho de Ética conseguiu entregar ontem notificação para Cunha apresentar sua defesa no ConselhoAgência Brasil

Segundo a Procuradoria, elas se favoreceram de valores de uma propina superior a US$ 5 milhões que Eduardo Cunha teria recebido “por viabilizar a aquisição de um campo de petróleo em Benin, na África, pela Petrobras”. Esses recursos teriam abastecido contas secretas de Cunha e familiares no exterior, que pagaram despesas de luxo.

A medida requerida por Janot põe o presidente da Câmara contra a parede. Esse desmembramento era um dos temores do peemedebista nos bastidores, porque, sem o foro privilegiado no Supremo, é mais fácil na primeira instância a decretação de prisões cautelares. Cunha foi denunciado no Supremo por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade eleitoral.

Na madrugada de quinta-feira passada, o Conselho de Ética aprovou parecer preliminar que dá continuidade ao processo de Cunha. Essa votação tem como principal consequência levar o caso, independente do resultado no colegiado, ao plenário da Câmara.

No dia, mesmo estando na Câmara, Cunha não recebeu a notificação de abertura do processo. Com isso, conseguiu adiar por dois dias o início do prazo da defesa. Na ocasião, ele alegou que não era “obrigado a estar na porta, esperando a hora” para ser notificado. Disse ainda que autoridades do porte dele, da presidente Dilma Rousseff e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), têm compromissos, e a entrega de notificação deve ser agendada. “Todas as notificações que recebi, marco hora. Inclusive as do Supremo recebi na minha casa”, argumentou.

Essa não foi a primeira vez que o Conselho tem dificuldade de notificar Cunha. Em dezembro, quando o parecer do relator Marcos Rogério (PDT-RO) foi aprovado pela primeira vez, o peemedebista adiou a entrega do documento por duas vezes, alegando compromissos.


Três inquéritos no Supremo

Relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Teori Zavascki autorizou ontem a abertura do terceiro inquérito contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para investigar sua suposta ligação com o esquema de corrupção da Petrobras. Teori acolheu pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A nova linha de investigação leva em conta a delação premiada de empresários da Carioca Engenharia, que acusam o peemedebista de ter recebido propina em contas no exterior. Os desvios estariam associados à liberação de verbas do fundo de investimentos do FGTS para o projeto do Porto Maravilha, no Rio, do qual a Carioca Engenharia obteve a concessão em consórcio com as construtoras Odebrecht e OAS.


EM DEFESA DE LULA

Uma imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com um menino negro no colo de um homem, já utilizada em campanha presidencial, amanheceu ontem espalhada em centenas de cartazes colados em pilastras e nas paredes de prédios do Centro do Rio. Acima da foto, está a frase: “Injustiça contra Lula, não!”. Abaixo, outra sentença: “Mexeu com ele, mexeu comigo”.

Os cartazes foram colados em pilastras da Av. Presidente VargasDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Embora os cartazes não tenham assinaturas da autoria, eles lembram imagens divulgadas na página do Facebook da Frente Brasil Popular-RJ. A organização divulgou a mesma foto do ex-presidente, mas com os dizeres: “Lula presidente do povo. Mexeu com Lula, mexeu com o povo!”. A Frente é liderada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), com apoio de 51 organizações, entre elas a União Nacional de Estudantes (UNE) e MST e partidos como o PT e PCdoB.

Dilma: não tem sentido levar Lula a depor ‘sob vara’

Em visita oficial ontem a Caxias do Sul (RS), a presidente Dilma Rousseff voltou a defender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, investigado pela Operação Lava Jato. Para Dilma, não faz sentido a Polícia Federal levar Lula a depor “sob vara”, já que ele “sempre aceitou” prestar depoimento. No discurso, a presidente também disse que a oposição “fica dividindo o país”.

Dilma Rousseff participou ontem de cerimônia de entrega de unidades do programa Minha Casa%2C Minha VidaRoberto Stuckert Filho/PR

“O presidente Lula, justiça seja feita, nunca se julgou melhor do que ninguém, sempre aceitou, convidado para prestar depoimento sempre foi. Então, não tem o menor sentido conduzi-lo sob vara para prestar depoimento, se ele jamais se recusou a ir”, afirmou Dilma, no discursos chegou a ser interrompido por gritos de “não vai ter golpe”.

A presidente afirmou ainda que não se deve demonizar pessoas e instituições com opiniões divergentes, mas se deve “exigir respeito”. Dilma também voltou a criticar o que classificou como “vazamentos sistemáticos” de informações sigilosas.


Últimas de Brasil