Desembargador suspende liminar e mantém novo ministro da Justiça no cargo

STF dará palavra final sobre a questão na quarta-feira; vínculo de Wellington César com o Ministério Público motivou discussão sobre sua nomeação

Por O Dia

Brasília - Uma decisão do presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), desembargador Cândido Ribeiro, permitiu nessa segunda-feira que o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, assuma o cargo em substituição ao ex-ministro José Eduardo Cardoso, atual chefe da Advocacia-Geral da União (AGU). 

O desembargador  atendeu a pedido da AGU para suspender a liminar concedida ao DEM, na última sexta-feira, pela juíza Solange Salgado de Vasconcelos, da 1ª Vara Federal em Brasília. Ela entendeu que o ministro, por ser membro do Ministério Público da Bahia, não pode exercer o cargo. A AGU recorreu argumentando que um artigo da Constituição abre a possibilidade de membros do MP desempenharem outros cargos públicos.

Wellington César Lima teve posse na Justiça suspensa após decisão de juíza na sexta-feiraValter Campanato/Agência Brasil - 04.03.16

Na decisão, o desembargador ressalta que o Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir, nesta quarta-feira, a pedido do PPS, sobre a legalidade de membro do Ministério Público, como é o caso de Wellington César, exercer o cargo de Ministro de Estado da Justiça. A ação no STF é relatada pelo ministro Gilmar Mendes. “Enquanto isso não ocorrer, entendo que a execução da liminar tem o condão de acarretar grave lesão à ordem pública, a autorizar a concessão da suspensão requerida”, diz o desembargador no texto. A decisão tomada hoje pelo desembargador é válida até que o STF decida sobre o tema.

O desembargador disse que a decisão da juíza “envolve interferência em ato do governo, com subjacente impacto nas condições de governabilidade da chefe do Poder Executivo”. E completou: “Além do mais, a liminar questionada, como afirma a requerente ‘deixa sem comando, do dia para a noite, um ministério que tem como responsabilidade direta a segurança pública, as garantias constitucionais, a administração penitenciária, entre outros assuntos de extrema relevância’”, diz.

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