Condenados, bilionários ficam na cadeia

Preso na Lava Jato, o empreiteiro Marcelo Odebrecht recebeu pena de 19 anos e quatro meses

Por O Dia

Brasília - Herdeiro do quarto maior conglomerado privado do país e apontado pela revista Forbes como o oitavo homem mais rico do Brasil em 2015, o empreiteiro Marcelo Odebrecht foi condenado ontem a 19 anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Preso desde junho do ano passado pela Operação Lava Jato, Marcelo tem uma fortuna avaliada em R$ 13,1 bilhões.

No mesmo dia, outro tubarão do mundo dos negócios e da política, o ex-senador Luiz Estevão, se entregou à Polícia Civil de Brasília depois de adiar por dez anos sua prisão, com sucessivos recursos contra a condenação de 31 anos de cadeia por desvio de verbas das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo.

Marcelo Odebrecht está preso desde junho de 2015%2C em Curitiba. O ex-senador Luiz Estevão se entregou ontem à Polícia Civil de Brasília Banco de imagens

Estevão é um dos maiores proprietários de terras no Distrito Federal e, em entrevista em 2011 à revista Época, declarou ter 12 bilhões de dólares _ correspondentes hoje a R$ 48 bilhões. Apesar de seus bens estarem bloqueados, o senador cassado circulava até anteontem pelas ruas de Brasília a bordo de uma Ferrari, avaliada em cerca de R$ 2 milhões.

Os números que envolvem os presos e os condenados pela Lava Jato são astronômicos. Marcelo Odebrecht é, sem dúvida, um dos mais ricos. Suas empresas alcançaram faturamento de R$ 107 bilhões em 2014. Na ocasião, a Odebrecht tocava seis das dez maiores obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e empregava diretamente 181 mil funcionários.

Mas no último ranking da Forbes, divulgado no início deste mês, o nome de Marcelo Odebrecht sumiu, e não aparece entre os 31 brasileiros mais ricos. Já o banqueiro André Esteves, outro bilionário preso pela Lava Jato, viu sua fortuna diminuir para US$ 1,6 bilhão (R$ 6,4 bilhões), depois que foi preso pela Lava Jato em novembro de 2015. Em 2015, ele era o 12º homem mais rico do Brasil. Agora, segundo a Forbes, ocupa a 25ª posição. Acionista controlador do BTG Pactual, Esteves perdeu a presidência do banco e, desde dezembro, cumpre prisão domiciliar.

Considerado um dos pecuaristas mais importantes do país, José Carlos Bumlai também foi pego pela Lava Jato. Em 2005, ele tinha dez mil cabeças de gado e uma fortuna avaliada em 5 bilhões de dólares (R$ 20 bilhões). Amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da silva, Bumlai permanece preso em Curitiba.
Iniciadas há dois anos, as investigações da Lava Jato envolvem empresas controladas por seis das famílias mais ricas do Brasil — Andrade, Gutierrez, Camargo, Queiroz Galvão e Mata Pires, além da Odebrecht.

Juntas, elas comandam fortunas combinadas avaliadas em mais de US$ 17 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 68 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index. Na sentença de ontem, o juiz Sérgio Moro também condenou o ex-diretor da Petrobras Renato Duque a 20 anos, três meses e dez dias de reclusão. 

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