Governo tenta acalmar militância para evitar conflitos

Protestos marcados para domingo preocupam a presidente

Por O Dia

Rio - As manifestações marcadas para domingo em todo o país, contra e a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, acenderam o alerta no governo federal com receio de episódios de violência. A presidente aproveitou a reunião de coordenação política, ontem, para apelar a todos os ministros e aos partidos que eles representam, especialmente o PT, que cancelem os eventos marcados para defender o governo, pelo menos nas cidades onde já existem eventos agendados.

O governo não quer que ocorra “de jeito nenhum” um confronto direto entre militâncias contrárias porque teme um desfecho trágico. Dilma diz estar “muito preocupada” com esta possibilidade, dado aos acirramentos dos ânimos, desde a última sexta-feira, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado coercitivamente à Polícia Federal para depor, e convocou a militância para ir para às ruas defendê-lo. A presidente apela aos partidos e às centrais sindicais, embora reconheça que não tem controle direto sobre elas, para que evitem as manifestações no domingo e escolham outro dia para protestar.

Na sexta%2C durante depoimento do ex-presidente Lula%2C em São Paulo%2C militantes se enfrentaram com violênciaEfe

Seguindo a orientação da presidente, o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoíni, reuniu-se com os líderes da base aliada e replicou o apelo de Dilma. Pediu a todos que conversem com suas eleitores para que cancelem as manifestações, não aceitem provocações e evitem o enfrentamento. O Planalto teme que o governo possa ser responsabilizado, caso haja conflitos, prejudicando ainda mais a imagem governista e do PT.

O governo age para “segurar as rédeas” da militância que, em muitos casos, não admite não ocupar espaço para se defender neste momento, além de pedir aos governadores que acionem as Polícias Militares, o quanto antes, para garantir a segurança de todos e evitar os conflitos.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) nacional também decidiu orientar suas centrais estaduais a não fazer manifestações no domingo, quando estão previstos atos dos grupos pró-impeachment. A CUT nacional mantém os atos para os dias 18 e 31.


Alckmin não autorizará ato pró-Dilma na Av. Paulista

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse ontem que não será permitido ato pró-Dilma Roussef na Avenida Paulista neste domingo. Segundo ele, grupos que defendem o impeachment da presidente já tinham, segundo ele, comunicado as autoridades de manifestação no mesmo local e no mesmo dia.
Em entrevista à Rádio Jovem Pan, Alckmin disse que o protesto pró-impeachment estava pré-agendado há mais de um mês e não teve relação com a operação que levou o ex-presidente Lula para depor na Polícia Federal. O governador lembrou que a ação acirrou os ânimos na sexta-feira, quando houve conflitos de grupos pró e anti PT em São Paulo.

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, informou ontem, à tarde, que, até o momento, não foi comunicado de manifestações no local por grupos favoráveis à presidente Dilma. “Constitucionalmente não é possível que dois grupos antagônicos se manifestem no mesmo local”, afirmou o secretário. “Porque pode gerar confusão, pode gerar briga. Não haverá nenhum problema se houver uma manifestação contra o impeachment domingo, só que em outro local”, justificou o secretário.

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