Morre percussionista Naná Vasconcelos

Músico estava internado no Hospital da Unimed no Recife, por conta de um câncer de pulmão, e teve uma parada respiratória na manhã desta quarta-feira

Por O Dia

Recife - O percussionista pernambucano Naná Vasconcelos morreu nesta quarta-feira, aos 71 anos, no Recife. Por volta das 7h, o músico teve uma parada respiratória, passou por um procedimento médico, mas não resistiu. O último boletim médico, divulgado na noite dessa terça-feira, afirmava que seu estado de saúde era "bastante grave".

Naná Vasconcelos morreu aos 71 anos%2C em RecifeDivulgação

Ele estava internado no Hospital Unimed Recife III, desde o último dia 29, por causa de "complicações advindas da progressão de seu câncer de pulmão".

Na tarde de segunda, Naná foi transferido da UTI para um quarto normal, no décimo andar do hospital. A reportagem apurou que o músico não saiu da UTI por causa de uma possível melhora, mas, sim, para ficar mais próximo de seus familiares e em tempo integral (as visitas na UTI eram feitas apenas duas vezes ao dia). O velório será anunciado ainda nesta quarta-feira.

Carreira 

Juvenal de Holanda Vasconcelos, mais conhecido como Naná Vasconcelos, nasceu em Recife no dia 2 de agosto de 1944. O cantor foi eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana Down Beat e ganhador de oito prêmios Grammy. Vasconcelos foi considerado uma autoridade mundial em percussão. Durante toda sua carreira sempre teve preferência por instrumentos de percussão e nos anos 60 se notabilizou por seu talento com o berimbau.

Em 1967 mudou-se para o Rio de Janeiro onde gravou dois LPs com Milton Nascimento. No ano seguinte, junto com Geraldo Azevedo, viajou para São Paulo para participar do Quarteto Livre, que acompanhou Geraldo Vandré no IIIFestival Internacional da Canção.

Além disso, Naná tem uma extensa carreira no exterior. A partir de 1967 ele atua como percussionista ao lado de diversos nomes de peso: Jon Hassel, Egberto Gismonti, Pat Metheny, Evelyn Glennie e Jan Garbarek. Formou entre os anos de 1978 e 1982, ao lado de Don Cherry e Collin Walcott o grupo de jazz Codona, com o qual lançou 3 álbuns.

Em 1981, tocou no Woodstock Jazz Festival, em comemoração ao décimo aniversário do Creative Music Studio. Em 1998, Vasconcelos contribuiu com a música "Luz de Candeeiro" para o álbum "Onda Sonora: Red Hot + Lisbon", compilação beneficente em prol do combate à AIDS, produzida pela Red Hot Organization.

Em 2013, o músico fez a trilha sonora da animação O Menino e o Mundo, que disputou o Oscar de melhor filme de animação em 2016. Em dezembro de 2015, Naná recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).


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